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Eficácia e segurança do ceftazidima/avibactam para tratamento de infecções osteoarticulares
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Título
Eficácia e segurança do ceftazidima/avibactam para tratamento de infecções osteoarticulares
Tipo de documento
Parecer Técnico-Científico
Descrição
Parecer Técnico-Científico publicado na BVS/Rede Ecos
Fonte
BVS/Rede Ecos
Ano de publicação
2022
Referência (Vancouver)
Oliveira CR, Martins G, Morais QCD, Clemente V. Eficácia e segurança do ceftazidima/avibactam para tratamento de infecções osteoarticulares: parecer técnico-científico [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde; 2022. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2026/05/1696820/ptc090226cro21.pdf
Identificador
2026BVS014
Title
Efficacy and safety of ceftazidime/avibactam for the treatment of osteoarticular infections
Document type
Technical-Scientific Opinion
Description
Technical-Scientific Opinion published on BVS/Rede Ecos
Source
BVS/Rede Ecos
Publication year
2022
Reference (Vancouver)
Oliveira CR, Martins G, Morais QCD, Clemente V. Eficácia e segurança do ceftazidima/avibactam para tratamento de infecções osteoarticulares: parecer técnico-científico [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde; 2022. Available from: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2026/05/1696820/ptc090226cro21.pdf
Identifier
2026BVS014
Resumo
Tecnologia: Ceftazidima pentaidratada/avibactam sódico Indicação: Está indicado no tratamento das seguintes infecções: infecção intra-abdominal complicada (em combinação com metronidazol); infecção do trato urinário complicada; incluindo pielonefrite; pneumonia adquirida no hospital (PAH), incluindo pneumonia associada à ventilação mecânica. Demandante: Comissão de Controle de Infecção Hospitalar -CCIH Introdução: As bactérias gram-negativas multirresistentes (MDR) são um urgente desafio no tratamento de doenças infecciosas. Os carbapenêmicos são antibióticos betalactâmicos com espectro de ação extremamente amplo e têm sido utilizados como terapia de escolha para infecções causadas por bactérias gram-negativas multirresistentes durante décadas. No entanto, o surgimento e a disseminação de carbapenemases (mecanismo mais comum de resistência aos carbapenêmicos) vem ameaçando a utilidade dos carbapenêmicos, uma vez que se constitui em última linha de defesa contra as bactérias MDR. No cenário ortopédico, aproximadamente 20% das infecções osteoarticulares são causadas por bactérias gram-negativas, com isso a prescrição dos carbapenens cresceu drasticamente, desse modo o uso ampliado, e talvez indiscriminado, desses antibióticos tem levado a um aumento da resistência antibiótica com as enterobactérias produtoras de carbapenemases. A alta morbidade e mortalidade associadas a infecções causadas por bactérias MDR gram-negativas se deve, em parte, à escassez de opções de tratamento seguras e eficazes, atestando a necessidade de desenvolvimento contínuo de antibióticos. Nesse contexto surge como alternativa terapêutica para o tratamento de infecções provocadas por esses microrganismos, a combinação ceftazidima/avibactam que tem demonstrado eficácia para o tratamento de infecções provocadas por enterobactérias e pseudomonas resistentes a outros agentes. Pergunta: Para pacientes adultos com infecção osteoarticular a terapia com ceftazidima/avibactam é segura e eficaz em casos de falha terapêutica, em especial em pacientes com contraindicação, intolerância ou resistência à polimixina B e/ou tigeciclina? Evidências clínicas: Foram incluídos dois estudos observacionais do tipo coorte retrospectiva que avaliaram pacientes com infecção osteoarticular em uso de ceftazidima/avibactam. Uma das coortes, estudo de Rempenault, incluiu 15 pacientes, dos quais apenas 9 foram tratados com ceftazidima/avibactam (C/A), sendo os outros pacientes tratados com ceftazolona/tazobactam (C/T) para infecção osteoarticular; a outra coorte, multicêntrica, estudo de Aloisamy, descreveu a experiência de mundo real em 203 pacientes com infecções por bactérias gram-negativas multidroga resistentes, dos quais somente 14 eram infecções osteoarticulares, representando 6,9% do total da amostra. O desfecho de interesse foi a taxa de cura, avaliado somente na coorte de Rempenault, com 77,8% de cura das infecções osteoarticulares com uma mediana de seguimento de 272 dias (variando entre 55-825 dias). A avaliação de risco de viés foi realizada com a ferramenta da Cochrane ROBINS I (Risk of bias in the results of non-randomized studies) 6 e a certeza da evidência foi avaliada com o sistema Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation – GRADE. Os estudos incluídos no parecer apresentaram risco de viés global crítico para os desfechos avaliados: taxa de cura e falha no tratamento, este último definido na coorte de Rempenault como a necessidade de tratamento antibiótico adicional ou necessidade de cirurgia ortopédica ou morte devido à infecção osteoarticular na última visita de follow-up. Os resultados desse estudo apontaram que a taxa de falha foi baixa para pacientes tratados com C/A (22,2%) e ligeiramente superior para os pacientes tratados com C/T (40,0%). No estudo de Alosaimy a falha clínica foi definida como um desfecho composto de mortalidade por todas as causas em 30 dias; falha microbiológica e/ou falha na resolução ou melhora dos sinais ou sintomas de infecção durante a terapia com ceftazidima/avibactam. Os resultados revelaram que falha clínica, mortalidade em 30 dias e recorrência em 30 dias ocorreram em 59 (29,1%), 35 (17,2%) e 12 (5,9%) pacientes, respectivamente. Resistência à terapia com C/A foi desenvolvida em 1 de 62 pacientes com testes repetidos. Dezessete (8,4%) pacientes experimentaram um potencial efeito adverso relacionado ao medicamento, 10 pacientes tiveram lesão renal aguda, 3 tiveram infecção por Clostridium difficile, 2 pacientes apresentaram erupções cutâneas e houve relato de um caso de intolerância gastrointestinal e um relato de neutropenia. Não foi possível sumarizar os resultados dos estudos por meio de metanálise devido a elevada heterogeneidade clínica, metodológica e estatística. Análise do Impacto Orçamentário (AIO): Ao comparar o cenário atual com o tratamento padrão da infecção osteoarticular por Pseudomonas/Enterobactérias Resistentes a Carbapenemas (ERC) já incorporado no INTO, com o cenário da indicação terapêutica (Torgena®) para o paciente com contraindicação ou intolerância ou resistência à polimixina B e tigeciclina, observou-se o impacto orçamentário incremental desta tecnologia, ao longo de 5 anos no valor de R$ 4.160.201,48. Recomendações internacionais: O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) - Reino Unido emitiu atualização em abril de 2022, onde recomenda o uso de ceftazidima/avibactam, dentro de sua autorização de comercialização ou registro, como uma opção para o tratamento de infecções graves resistentes a medicamentos causadas por bactérias gram-negativas. Seguindo o conselho de especialistas em microbiologia ou doenças infecciosas, recomenda-se oferecer ceftazidima-avibactam somente se houver poucas opções alternativas de tratamento. Isso inclui, mas não se limita a infecções causadas por Enterobactérias produtoras de carbapenemases e somente se houver suscetibilidade microbiológica ou teste genético confirmando que a infecção é suscetível a ceftazidima-avibactam ou se houver necessidade urgente de tratar uma infecção que se supõe ser suscetível a ceftazidimaavibactam e os resultados de testes microbiológicos ou genéticos ainda não estiverem disponíveis, e quando há poucas opções alternativas de tratamento. Considerações finais: O manejo das infecções osteoarticulares é desafiador, em decorrência do perfil de resistência antimicrobiana das bactérias gram-negativas e das limitadas opções de tratamento disponíveis. Ademais, também se configuram como barreiras a ausência de desenhos de estudos robustos, como os ensaios clínicos randomizados, especialmente no cenário avaliado, que são ideais para a avaliação da eficácia de medicamentos, e que oferecem melhor qualidade de evidências para suporte à tomada de decisão. No contexto deste parecer, os resultados apresentados nas evidências incluídas, não nos permite estabelecer relação de causalidade entre o uso do medicamento ceftazidima/avibactam (Torgena) e a resposta terapêutica, trazendo muita incerteza para a tomada de decisão. Não foram identificados, estudos randomizados, controlados para avaliação do medicamento no cenário de infecção osteoarticular. Apesar de todas as pressões que têm se estabelecido sobre gestores e sistemas de saúde, é preciso que a tomada de decisão seja coerente, consistente e transparente, baseada na melhor evidência científica disponível. Nessa perspectiva, as evidências disponíveis até o momento para o tratamento de infecções osteoarticulares trazem muita incerteza para subsidiar a padronização do medicamento ceftazidima/avibactam. Entretanto, por se tratar de um cenário complexo, com elevada morbidade associada a essas infecções, e ainda que as infecções por bactérias gram-negativas multidroga resistentes refletem um cenário de necessidades não atendidas, com significativa carga sobre pacientes e familiares, cabe considerar outros critérios relevantes para subsidiar a decisão. A inclusão de evidências de qualidade pode modificar a avaliação desse parecer ao longo do tempo.
Notas
O registro foi originalmente publicado em português. A versão em inglês foi traduzida com o apoio de inteligência artificial.
Abstract
Technology: Ceftazidime pentahydrate/sodium avibactam. Indication: Indicated for the treatment of the following infections: complicated intra-abdominal infection (in combination with metronidazole); complicated urinary tract infection, including pyelonephritis; hospital-acquired pneumonia (HAP), including ventilator-associated pneumonia. Requester: Hospital Infection Control Committee (CCIH). Introduction: Multidrug-resistant (MDR) gram-negative bacteria represent an urgent challenge in the treatment of infectious diseases. Carbapenems are beta-lactam antibiotics with an extremely broad spectrum of activity and have been used as the treatment of choice for infections caused by MDR gram-negative bacteria for decades. However, the emergence and spread of carbapenemases (the most common mechanism of resistance to carbapenems) threaten the usefulness of carbapenems, as they constitute the last line of defense against MDR bacteria. In the orthopedic setting, approximately 20% of osteoarticular infections are caused by gram-negative bacteria; consequently, carbapenem prescriptions have increased dramatically. Thus, the expanded and perhaps indiscriminate use of these antibiotics has led to increased antimicrobial resistance among carbapenemase-producing Enterobacteriaceae. The high morbidity and mortality associated with infections caused by MDR gram-negative bacteria are due, in part, to the scarcity of safe and effective treatment options, highlighting the need for the continuous development of new antibiotics. In this context, the combination of ceftazidime/avibactam emerges as a therapeutic alternative for treating infections caused by these microorganisms and has demonstrated efficacy in treating infections caused by Enterobacteriaceae and Pseudomonas resistant to other agents. Question: For adult patients with osteoarticular infection, is therapy with ceftazidime/avibactam safe and effective in cases of therapeutic failure, particularly in patients with contraindication, intolerance, or resistance to polymyxin B and/or tigecycline? Clinical evidence: Two retrospective observational cohort studies evaluating patients with osteoarticular infection treated with ceftazidime/avibactam were included. One cohort, the Rempenault study, included 15 patients, of whom only 9 were treated with ceftazidime/avibactam (C/A), while the remaining patients received ceftolozane/tazobactam (C/T) for osteoarticular infection. The second, multicenter cohort, the Alosaimy study, described real-world experience in 203 patients with multidrug-resistant gram-negative bacterial infections, of whom only 14 had osteoarticular infections, representing 6.9% of the total sample. The outcome of interest was cure rate, assessed only in the Rempenault cohort, with a 77.8% cure rate for osteoarticular infections and a median follow-up of 272 days (range 55–825 days). Risk of bias was assessed using the Cochrane ROBINS-I (Risk of Bias in Non-randomized Studies of Interventions) tool, and certainty of evidence was evaluated using the Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation (GRADE) system. The studies included in the report presented a critical overall risk of bias for the outcomes assessed: cure rate and treatment failure, the latter defined in the Rempenault cohort as the need for additional antibiotic treatment, orthopedic surgery, or death due to osteoarticular infection at the last follow-up visit. Results from this study indicated that the failure rate was low among patients treated with C/A (22.2%) and slightly higher among patients treated with C/T (40.0%). In the Alosaimy study, clinical failure was defined as a composite outcome including all-cause mortality within 30 days, microbiological failure, and/or failure to resolve or improve signs and symptoms of infection during ceftazidime/avibactam therapy. Results revealed that clinical failure, 30-day mortality, and 30-day recurrence occurred in 59 (29.1%), 35 (17.2%), and 12 (5.9%) patients, respectively. Resistance to C/A therapy developed in 1 of 62 patients who underwent repeat testing. Seventeen (8.4%) patients experienced a potential drug-related adverse event: 10 patients developed acute kidney injury, 3 had Clostridioides difficile infection, 2 developed skin rashes, and there was one report each of gastrointestinal intolerance and neutropenia. It was not possible to summarize study results through meta-analysis due to substantial clinical, methodological, and statistical heterogeneity. Budget Impact Analysis (BIA): When comparing the current scenario with the standard treatment for osteoarticular infection caused by Carbapenem-Resistant Pseudomonas/Enterobacteriaceae (CRE) already incorporated at INTO, with the scenario involving the therapeutic indication of Torgena® for patients with contraindication, intolerance, or resistance to polymyxin B and tigecycline, the incremental budget impact of this technology over 5 years was estimated at R$ 4,160,201.48. International recommendations: The National Institute for Health and Care Excellence (NICE) issued an update in April 2022 recommending the use of ceftazidime/avibactam, within its marketing authorization, as an option for the treatment of severe drug-resistant infections caused by gram-negative bacteria. Following advice from microbiology or infectious disease specialists, ceftazidime/avibactam should be offered only when there are few alternative treatment options. This includes, but is not limited to, infections caused by carbapenemase-producing Enterobacteriaceae and only when microbiological susceptibility or genetic testing confirms that the infection is susceptible to ceftazidime/avibactam, or when there is an urgent need to treat an infection presumed to be susceptible to ceftazidime/avibactam and microbiological or genetic test results are not yet available, and few alternative treatment options exist. Final considerations: The management of osteoarticular infections is challenging due to the antimicrobial resistance profile of gram-negative bacteria and the limited treatment options available. Furthermore, the absence of robust study designs, such as randomized clinical trials—which are considered ideal for evaluating drug efficacy and provide higher-quality evidence for decision-making—also constitutes a major barrier, particularly in the scenario assessed. Within the context of this report, the results of the available evidence do not allow the establishment of a causal relationship between the use of ceftazidime/avibactam (Torgena®) and therapeutic response, resulting in considerable uncertainty for decision-making. No randomized controlled studies evaluating the drug in the setting of osteoarticular infection were identified. Despite the pressures faced by healthcare managers and systems, decision-making must remain coherent, consistent, transparent, and based on the best available scientific evidence. From this perspective, the currently available evidence for the treatment of osteoarticular infections carries substantial uncertainty and is insufficient to support the standardization of ceftazidime/avibactam. Nevertheless, given the complexity of this clinical scenario, the high morbidity associated with these infections, and the fact that infections caused by multidrug-resistant gram-negative bacteria represent an area of unmet medical need with a significant burden on patients and their families, other relevant criteria should also be considered to support decision-making. The inclusion of higher-quality evidence may modify the conclusions of this report over time.
Notes
The record was originally published in Portuguese. The English version was translated with the support of artificial intelligence.