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Uso de metotrexato no manejo da gravidez ectópica
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Título
Uso de metotrexato no manejo da gravidez ectópica
Tipo de documento
Relatório de avaliação de tecnologias em saúde
Descrição
Relatório de avaliação de tecnologias em saúde publicado pela Secretaria do Estado de Saúde (SES)
Fonte
Secretaria de Estado de Saúde
Ano de publicação
2025
Referência (Vancouver)
Comissão Permanente de Farmácia e Terapêutica do Estado de Mato Grosso (CPFT-MT); Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso. Uso de metotrexato no manejo da gravidez ectópica [Internet]. Cuiabá: Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso; 2025. Disponível em: https://www.saude.mt.gov.br/storage/files/Pj3pY0sZaXKfdyJBCW5xdsmJWVycrk5ZvDmnkS6g.pdf
Identificador
2025SESMT003
Title
Use of methotrexate in the management of ectopic pregnancy
Document type
Health technology assessment report
Description
Health technology assessment report published by the State Health Secretariat (SES)
Source
State Health Secretariat
Publication year
2025
Reference (Vancouver)
Comissão Permanente de Farmácia e Terapêutica do Estado de Mato Grosso (CPFT-MT); Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso. Uso de metotrexato no manejo da gravidez ectópica [Internet]. Cuiabá: Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso; 2025 . Available from: https://www.saude.mt.gov.br/storage/files/Pj3pY0sZaXKfdyJBCW5xdsmJWVycrk5ZvDmnkS6g.pdf
Identifier
2025SESMT003
Resumo
Demandante:Hospital Regional de Sorriso. Tecnologia avaliada:Metotrexato - Concentração: 25 mg/ml; Solução: Injetável; Apresentação: Frasco-Ampola; Volume: 2 ml. Justificativa:A gravidez ectópica acontece em cerca de 1% das gestações, e isso inclui todos os casos em que o óvulo fertilizado se implanta fora do útero. O lugar mais comum é na tuba uterina. Se não tratada, uma gravidez ectópica pode levar à ruptura da tuba, causar sangramento dentro do abdômen, levar à infertilidade, ao choque e, em casos graves, até à morte. Existem algumas formas de tratar essa condição: cirurgia, medicação ou uma observação cuidadosa, chamada conduta expectante. O uso do metotrexato por injeção no músculo tem sido uma opção de tratamento porque é menos invasivo, não precisa de cirurgia e ajuda a preservar a fertilidade. Mas nem todas as mulheres podem fazer esse tratamento. Geralmente, elas precisam ter níveis do hormônio gonadotrofina coriônica humana (β-hCG) abaixo de 5.000 unidades por litro, sem batimentos cardíacos fetais visíveis, sem massa no ovário ou na trompa, sem saco gestacional visível no ultrassom, com o endométrio não muito espesso, além de não terem muitas gestações ectópicas anteriores ou história de doença inflamatória pélvica. Objetivo:O objetivo desse parecer é avaliar se o metotrexato injetável é uma opção terapêutica viável para o manejo de gravidez ectópica. Pergunta de pesquisa - Síntese de evidência:O metotrexato injetável é mais eficaz e seguro que cirurgia (salpingostomia ou salpingectomia) e conduta expectante no tratamento de gravidez ectópica? Evidências: O metotrexato e a conduta expectante não apresentaram diferenças significativas para os desfechos: resolução da gravidez ectópica; falha no tratamento, gravidez intrauterina subsequente, gravidez ectópica recorrente e necessidade de intervenção cirúrgica. Metotrexato e salpingostomia não apresentaram diferenças de eficácia estatisticamente significativas quando medidos em termos de sucesso do tratamento; falha terapêutica; fertilidade; gravidez ectópica recorrente, probabilidade de gravidez intrauterina. Entretanto, o metotrexato em dose única apresentou mais falhas que a cirurgia, porém um melhor desempenho na qualidade de vida em termos de funcionamento físico. Quanto a eventos adversos, a duração do sangramento vaginal e náusea foi maior com o metotrexato do que com a salpingostomia. Em relação à salpingectomia, o metotrexato apresentou uma maior probabilidade de gravidez intrauterina posterior. No entanto, quando a eficácia foi medida através do desfecho “falha no tratamento”, as evidências apontaram superioridade da salpingectomia. Já para os resultados resolução da gravidez e gravidez ectópica recorrente, não houve diferença estatisticamente significativa entre os tratamentos. Comparado à curetagem, o metotrexato é mais eficaz quando medido em termos de necessidade de transfusão, necessidade de laparoscopia de emergência e histerectomia. Já quanto ao sucesso do tratamento e necessidade de tratamento adicional, a curetagem se mostrou superior. Parecer de agências internacionais:Agências internacionais do Reino Unido, Irlanda, Escócia, Canadá e redes de agências como a INATHA e a HTACG, da União Europeia, foram consultadas sobre a recomendação do uso do metotrexato injetável no tratamento de gravidez ectópica. Entre elas, as agências do Reino Unido e Irlanda aprovaram o uso do medicamento para pacientes que atendam a certos critérios específicos, tais como: estabilidade hemodinâmica, sem ruptura da trompa, β-hCG abaixo de 5000 U/L, massa < 3 cm, ausência de pulsações cardíacas fetais, sem contraindicações ao metotrexato, possibilidade de acompanhamento e acesso a serviços médicos. Essas pacientes também devem estar cientes de que pode ser necessário realizar terapias adicionais ou até mesmo uma internação de emergência se a condição piorar. Monitoramento do Horizonte Tecnológico:O monitoramento do horizonte tecnológico apontou que uma terapia oral, letrozol, está sendo avaliada para tratamento de gravidez ectópica. Avaliações econômicas: O metotrexato é mais econômico e menos efetivo que a cirurgia conservadora (salpingostomia). O custo do uso de metotrexato em dose única para o manejo da gravidez ectópica é em média R$ 196,85 por paciente. Já se adotada a cirurgia conservadora (salpingostomia), o custo é de R$ 539,72. Entretanto, casos em que exigem 2 e 3 doses de metotrexato podem custar R$ 295,59 e R$ 420,48, respectivamente. Em contrapartida, casos que se resolvem com uma única dose de metotrexato custam menos, R$ 168,18. Já o custo da falha da cirurgia conservadora foi estimado em R$ 887,92, enquanto o custo do seu sucesso é de R$ 511,08. A razão de custo-efetividade incremental foi de R$ 20,41 negativos, indicando que há uma economia de R$ 20,41 às custas de cada percentual de efetividade perdida. Considerações finais: O metotrexato é uma opção de tratamento para gravidez ectópica, em detrimento da cirurgia, para uma população tida como elegível ao metotrexato: níveis séricos de β-hCG abaixo de 5.000 U/l; ausência de atividade cardíaca fetal, ausência de massa anexial, ausência de saco vitelino, endométrio não espesso, menor número de gestações ectópicas anteriores, história negativa para doença inflamatória pélvica. O metotrexato não deve ser usado nas seguintes situações: instabilidade hemodinâmica; sinais de ruptura atual ou iminente; heterotópica com gestação uterina viável; anormalidades basais em exames iniciais; imunodeficiência; doença pulmonar crônica ativa; doença ulcerosa péptica; hipersensibilidade ao medicamento. Recomendação:Este painel RECOMENDA a incorporação de metotrexato injetável para o manejo da gravidez ectópica de pacientes selecionadas mediante construção de protocolo clínico.
Notas
O registro foi originalmente publicado em português. A versão em inglês foi traduzida com o apoio de inteligência artificial.
Abstract
Requesting party: Sorriso Regional Hospital. Technology assessed: Methotrexate – Concentration: 25 mg/mL; Solution: Injectable; Presentation: Vial; Volume: 2 mL. Rationale: Ectopic pregnancy occurs in around 1% of pregnancies and includes all cases in which the fertilized ovum implants outside the uterus. The most common site is the fallopian tube. If untreated, an ectopic pregnancy can lead to tubal rupture, intra-abdominal bleeding, infertility, shock, and, in severe cases, death. There are several ways to treat this condition: surgery, medication, or careful observation, known as expectant management. Intramuscular methotrexate has been used as a treatment option because it is less invasive, avoids surgery, and helps preserve fertility. However, not all women are eligible for this treatment. They generally need human chorionic gonadotropin (β-hCG) levels below 5,000 units per liter, no visible fetal cardiac activity, no ovarian or tubal mass, no visible gestational sac on ultrasound, a not excessively thick endometrium, and few previous ectopic pregnancies and no history of pelvic inflammatory disease. Objective: This opinion aims to assess whether injectable methotrexate is a feasible therapeutic option for management of ectopic pregnancy. Research question – Evidence synthesis: Is injectable methotrexate more effective and safer than surgery (salpingostomy or salpingectomy) and expectant management for treating ectopic pregnancy? Evidence: Methotrexate and expectant management showed no significant differences for ectopic pregnancy resolution, treatment failure, subsequent intrauterine pregnancy, recurrent ectopic pregnancy, or need for surgical intervention. Methotrexate and salpingostomy showed no statistically significant differences in efficacy when measured by treatment success, treatment failure, fertility, recurrent ectopic pregnancy, and probability of intrauterine pregnancy. However, single-dose methotrexate had more failures than surgery but better quality-of-life performance in terms of physical functioning. Regarding adverse events, vaginal bleeding duration and nausea were greater with methotrexate than with salpingostomy. Compared with salpingectomy, methotrexate was associated with a greater probability of subsequent intrauterine pregnancy. However, when efficacy was measured by the outcome “treatment failure,” the evidence favored salpingectomy. For pregnancy resolution and recurrent ectopic pregnancy, there was no statistically significant difference between treatments. Compared with curettage, methotrexate is more effective when measured in terms of need for transfusion, need for emergency laparoscopy, and hysterectomy. For treatment success and need for additional treatment, curettage was superior. International agency opinions: International agencies from the United Kingdom, Ireland, Scotland, and Canada, as well as agency networks such as INAHTA and the European Union's HTACG, were consulted regarding recommendations for injectable methotrexate in ectopic pregnancy. Among them, agencies in the United Kingdom and Ireland approved use of the medicine for patients meeting specific criteria, including hemodynamic stability, no tubal rupture, β-hCG below 5,000 U/L, mass < 3 cm, absence of fetal cardiac activity, no contraindications to methotrexate, and ability to attend follow-up and access medical services. These patients should also be aware that additional therapies or emergency hospitalization may be required if the condition worsens. Horizon scanning: Horizon scanning indicated that an oral therapy, letrozole, is being evaluated for ectopic pregnancy. Economic evaluations: Methotrexate is less costly and less effective than conservative surgery (salpingostomy). The average cost of single-dose methotrexate for ectopic pregnancy management is R$ 196.85 per patient. If conservative surgery (salpingostomy) is used, the cost is R$ 539.72. However, cases requiring 2 and 3 doses of methotrexate may cost R$ 295.59 and R$ 420.48, respectively. Cases resolved with a single dose of methotrexate cost less, R$ 168.18. The cost of failure of conservative surgery was estimated at R$ 887.92, while successful surgery costs R$ 511.08. The incremental cost-effectiveness ratio was negative R$ 20.41, indicating savings of R$ 20.41 at the cost of each percentage point of effectiveness lost. Final considerations: Methotrexate is a treatment option for ectopic pregnancy instead of surgery for a population considered eligible for methotrexate: serum β-hCG below 5,000 U/L; absence of fetal cardiac activity; absence of adnexal mass; absence of yolk sac; non-thickened endometrium; fewer previous ectopic pregnancies; and no history of pelvic inflammatory disease. Methotrexate should not be used in the following situations: hemodynamic instability; signs of current or impending rupture; heterotopic pregnancy with viable intrauterine pregnancy; baseline abnormalities on initial tests; immunodeficiency; active chronic lung disease; peptic ulcer disease; hypersensitivity to the medicine. Recommendation: This panel RECOMMENDS incorporation of injectable methotrexate for management of ectopic pregnancy in selected patients, subject to development of a clinical protocol.
Notes
The record was originally published in Portuguese. The English version was translated with the support of artificial intelligence.