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Efeito da estimulação transcraniana por corrente contínua no tratamento da depressão maior comparado ao sham ou tratamento ativo: uma overview de revisões sistemáticas
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Título
Efeito da estimulação transcraniana por corrente contínua no tratamento da depressão maior comparado ao sham ou tratamento ativo: uma overview de revisões sistemáticas
Tipo de documento
Resumo
Descrição
Resumo apresentado no Simpósio de Saúde Baseada em Evidências (SISBE)
Fonte
SISBE
Ano de publicação
2025
Referência (Vancouver)
Nascimento MHF, Barbosa AM, Zimmermann I. Efeito da estimulação transcraniana por corrente contínua no tratamento da depressão maior comparado ao sham ou tratamento ativo: uma overview de revisões sistemáticas. In: Simpósio de Saúde Baseada em Evidências 2025 [Internet]. Brasília (DF): Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde; 2025. Disponível em: https://repositoriobce.fepecs.edu.br/handle/123456789/1631
Identificador
2025SISBE040
Title
Effect of transcranial direct current stimulation in the treatment of major depression compared with sham or active treatment: an overview of systematic reviews
Document type
Abstract
Description
Abstract presented at the Evidence-Based Health Symposium (SISBE)
Source
SISBE
Publication year
2025
Reference (Vancouver)
Nascimento MHF, Barbosa AM, Zimmermann I. Efeito da estimulação transcraniana por corrente contínua no tratamento da depressão maior comparado ao sham ou tratamento ativo: uma overview de revisões sistemáticas. In: Simpósio de Saúde Baseada em Evidências 2025 [Internet]. Brasília (DF): Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde; 2025. Available from: https://repositoriobce.fepecs.edu.br/handle/123456789/1631
Identifier
2025SISBE040
Resumo
INTRODUÇÃO: O transtorno depressivo maior (TDM) é um transtorno mental comum, o que significa que ele afeta uma parte significativa da população mundial, sendo recorrente, de curso crônico e alto impacto funcional (Kessler et al., 2003; Marx et al., 2023). O adoecimento, conforme a literatura é resultado de uma interação complexa de fatores sociais, psicológicos e biológicos (WHO, 2017; WHO, 2022). Aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo são afetadas com algum tipo de transtorno depressivo que inclui o TDM (Chen et al., 2023), sendo 4.4% da população mundial. Além disso, o TDM é um fator de risco significativo para o suicídio, sendo a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, com mais de 700.000 mortes por suicídio a cada ano (Hasin et al., 2018; WHO, 2022). O TDM está associado aos pensamentos de suicídio em torno de 80% dos depressivos e cerca de 10% a 15% de fato tornam-se suicidas (Quevedo; Silva, 2013). A prevalência TDM varia significativamente entre regiões (UpToDate, 2024). A prevalência do TDM é mais alta em países com recursos abundantes (como Estados Unidos e Europa), no qual cerca de 18% da população experimentará esses transtornos ao longo da vida (Greenberg et al., 2015; Hasin et al., 2018). Por outro lado, em países com recursos limitados (como de baixa ou média renda), como a República Popular da China, México e Brasil, a prevalência estimada ao longo da vida desses transtornos é de cerca de 9% (UpToDate, 2024). No entanto, no geral, a prevalência de TDM é maior entre indivíduos com menor renda e seu primeiro episódio ocorre em torno dos 29 anos (Hasin et al., 2018; UpToDate, 2024). Assim, a depressão constitui um grande desafio para a saúde pública devido à sua alta prevalência (Kessler et al., 2005). Ademais, apresenta impactos significativos do TDM por serem regiões com maior carga de doenças. Além dos impactos diretos na saúde mental, o TDM também gera um enorme custo econômico, com estimativas de perda de produtividade que chegam a bilhões de dólares anualmente (Hasin et al., 2018). A literatura recente enfatiza a relevância das comorbidades em pessoas com transtorno depressivo maior (TDM), agravando o impacto do fardo associado aos diversos componentes do custo econômico (Greenberg et al., 2015; Thornicroft et al., 2017). As comorbidades mais comuns são transtornos de ansiedade e doenças crônicas (médicos gerais, como diabete, hipertensão, ou concomitante com outros transtornos psiquiátricos), que intensificam os custos tanto no tratamento médico quanto nas perdas econômicas. Estima-se que os custos indiretos, relacionados ao absenteísmo e à redução da produtividade no trabalho, representem uma grande parte da carga econômica da depressão. Desse modo, o transtorno depressivo maior (TDM) é uma das principais questões de saúde pública global (Shin et al., 2015). Dados do GBD (Murray et al., 2015), revelam que uma das principais causas de YLDs (anos de vida ajustados por incapacidade) é o TDM e está entre as 10 principais causas de YLDs em todos os países, afetando significativamente a qualidade de vida das pessoas. Vale salientar que, dados da literatura mostram que somente uma pequena fração de indivíduos com TDM recebem um tratamento minimamente adequado (Thornicroft et al., 2017). O estudo de Thornicroft et al. relata que uma em 27 pessoas nos países de baixa e média-baixa renda recebem tratamento adequado para TDM, sugerindo a necessidade de mais recursos para ampliar os cuidados necessários para controlar ou melhorar o TDM. Assim, o TDM permanece uma das principais causas de incapacidade global, mesmo quando tem o acesso a tratamentos farmacológicos e psicoterápicos tradicionais (Mutz et al., 2019). Com efeito, a depressão, quando não tratada, pode ter um impacto severo na qualidade de vida em geral, afetando aspectos como as relações pessoais e laborais (WHO, 2022). Uma pesquisa em 2017 (Thornicroft et al., 2017) aponta que, embora o TDM seja uma condição tratável, existem múltiplas barreiras que dificultam que as pessoas com esse transtorno recebam o tratamento adequado. Essas barreiras podem ser de diferentes tipos, como: 1) Falta de recursos financeiros para acessar tratamentos, como terapia ou medicamentos; 2) Estigmas sociais associados à doença mental, como o preconceito em relação à busca por ajuda psicológica; falta de acesso a serviços de saúde adequados, como médicos, terapeutas ou centros de tratamento, especialmente em áreas rurais ou em países com sistemas de saúde limitados; dificuldades dos próprios pacientes em reconhecer que precisam de ajuda ou a resistência em buscar tratamento devido a sentimentos de vergonha, desesperança ou medo. O efeito combinado dessas barreiras resulta em um cenário onde uma pequena minoria de pessoas com TDM efetivamente recebe um tratamento adequado. Em outras palavras, mesmo que o tratamento esteja disponível, as várias dificuldades que as pessoas enfrentam para acessar esses cuidados fazem com que poucas consigam obter o tratamento necessário para controlar o transtorno. Informações recentes da literatura afirma que em torno de um terço dos pacientes com depressão não alcança remissão com os tratamentos padrão (Cui et al., 2024; Mutz et al., 2019; WHO, 2022), o que pode interferir em afastamento do trabalho, educação ou de atividades sociais, resultando em redução significativa da qualidade de vida do paciente e seus familiares. Em razão da complexidade dos processos patológicos do TDM, as estratégias diagnósticas detalhadas e os tratamentos eficazes são consideravelmente restritos (Cui et al., 2024). Embora, os tratamentos tradicionais, como a medicação antidepressiva e a psicoterapia sejam amplamente indicadas, a crescente demanda aliada a alguns quadros clínicos não respondedores exigem novas abordagens terapêuticas, como a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), podem oferecer opções eficazes, nos casos de TDM. Apesar de a ETCC já ser apontada como uma alternativa promissora, ainda falta na literatura uma síntese mais aprofundada sobre sua eficácia e segurança no tratamento do TDM. Além disso, as evidências existentes não abordam comparações entre diferentes protocolos de aplicação, como a polaridade e a duração da estimulação, nem a variabilidade dos resultados em diferentes populações. Este estudo almeja realizar uma investigação, proporcionando uma visão mais abrangente e detalhada da ETCC como uma abordagem terapêutica para o tratamento do TDM, considerando seus aspectos clínicos. OBJETIVOS: O presente estudo tem como objetivo geral sintetizar e avaliar as evidências disponíveis em revisões sistemáticas sobre o uso da TDCS no tratamento da depressão maior, com foco na terapêutica, parâmetros técnicos de aplicação, aceitabilidade em comparação ao Sham (placebo) ou comparador ativo (tratamento ativo: antidepressivos) em pacientes adultos com TDM. Específicamente busca-se (1) Comparar tDCS com o placebo em termos de resposta clínica, remissão e redução da gravidade dos sintomas depressivos, com base nas revisões sistemáticas existentes; (2) Analisar a variação de intensidade, duração, polaridade e localização da estimulação e seu impacto nos resultados clínicos observados; (3) Investigar eventos de descontinuação do tratamento e os efeitos adversos reportados nos estudos revisados, focando na segurança da técnica.
Notas
O registro foi originalmente publicado em português. A versão em inglês foi traduzida com o apoio de inteligência artificial.
Abstract
INTRODUCTION: Major depressive disorder (MDD) is a common mental disorder, meaning it affects a significant portion of the global population, being recurrent, chronic in course, and associated with high functional impact (Kessler et al., 2003; Marx et al., 2023). According to the literature, the condition results from a complex interaction of social, psychological, and biological factors (WHO, 2017; WHO, 2022). Approximately 300 million people worldwide are affected by some form of depressive disorder, including MDD (Chen et al., 2023), representing 4.4% of the global population. In addition, MDD is a significant risk factor for suicide, being the fourth leading cause of death among individuals aged 15 to 29, with more than 700,000 suicide deaths each year (Hasin et al., 2018; WHO, 2022). MDD is associated with suicidal thoughts in around 80% of depressed individuals, and approximately 10% to 15% eventually become suicidal (Quevedo; Silva, 2013). The prevalence of MDD varies significantly across regions (UpToDate, 2024). It is higher in high-income countries (such as the United States and Europe), where around 18% of the population will experience these disorders over their lifetime (Greenberg et al., 2015; Hasin et al., 2018), while in low- and middle-income countries such as the People’s Republic of China, Mexico, and Brazil, the estimated lifetime prevalence is around 9% (UpToDate, 2024). Overall, MDD prevalence is higher among individuals with lower income, and its first episode typically occurs around age 29 (Hasin et al., 2018; UpToDate, 2024). Thus, depression represents a major public health challenge due to its high prevalence (Kessler et al., 2005) and significant impact on global disease burden regions. In addition to its direct effects on mental health, MDD also generates enormous economic costs, with estimates of productivity losses reaching billions of dollars annually (Hasin et al., 2018). Recent literature highlights the relevance of comorbidities in individuals with major depressive disorder (MDD), worsening the overall burden associated with economic costs (Greenberg et al., 2015; Thornicroft et al., 2017). The most common comorbidities include anxiety disorders and chronic medical conditions such as diabetes, hypertension, or other psychiatric disorders, which increase costs related both to medical treatment and economic losses, with indirect costs related to absenteeism and reduced workplace productivity representing a major portion of the economic burden of depression. Therefore, MDD is one of the leading global public health issues (Shin et al., 2015). Global Burden of Disease (GBD) data (Murray et al., 2015) show that MDD is one of the leading causes of Years Lived with Disability (YLDs) and ranks among the top 10 causes of YLDs in all countries, significantly affecting quality of life. However, only a small fraction of individuals with MDD receive minimally adequate treatment (Thornicroft et al., 2017), with reports indicating that in low- and lower-middle-income countries only one in 27 people receive adequate treatment, highlighting the need for expanded care resources. Thus, MDD remains one of the leading causes of global disability even when pharmacological and psychotherapeutic treatments are available (Mutz et al., 2019), and when untreated it can severely affect quality of life and personal and occupational relationships (WHO, 2022). Although MDD is treatable, multiple barriers prevent access to adequate care, including lack of financial resources, social stigma, limited access to healthcare services especially in rural or resource-limited regions, and difficulties in recognizing the need for treatment or emotional barriers such as shame, hopelessness, and fear (Thornicroft et al., 2017). The combined effect of these barriers results in a situation where only a small minority of individuals receive adequate treatment, even when care is available. Recent literature indicates that around one-third of patients with depression do not achieve remission with standard treatments (Cui et al., 2024; Mutz et al., 2019; WHO, 2022), leading to absenteeism, educational disruption, and reduced social functioning, with significant impact on quality of life for patients and families. Due to the complexity of MDD pathophysiology, effective diagnostic strategies and treatments remain limited (Cui et al., 2024). Although antidepressants and psychotherapy are widely used, treatment-resistant cases and increasing demand require new therapeutic approaches, such as transcranial direct current stimulation (tDCS), which may offer effective options. However, despite being considered promising, there is still a lack of comprehensive synthesis on tDCS efficacy and safety in MDD, including comparisons between protocols such as polarity, duration, and population variability. This study aims to provide a broader and more detailed overview of tDCS as a therapeutic approach for MDD. OBJECTIVES: The present study aims to systematically synthesize and evaluate evidence from systematic reviews on the use of tDCS in the treatment of major depression, focusing on therapeutic efficacy, technical application parameters, and acceptability compared to sham (placebo) or active comparators (antidepressant treatment) in adult patients with MDD. Specifically, it aims to (1) compare tDCS with placebo in terms of clinical response, remission, and reduction of depressive symptom severity based on existing systematic reviews; (2) analyze variations in intensity, duration, polarity, and stimulation location and their impact on clinical outcomes; and (3) investigate treatment discontinuation and adverse effects reported in the literature, focusing on safety.
Notes
The record was originally published in Portuguese. The English version was translated with the support of artificial intelligence.