-
Gasto com medicamentos biológicos para Artrite Reumatoide no Sistema Único de Saúde entre 2012 e 2016
- Voltar
Título
Gasto com medicamentos biológicos para Artrite Reumatoide no Sistema Único de Saúde entre 2012 e 2016
Tipo de documento
Resumo
Descrição
Resumo publicado no Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (JAFF)
Fonte
JAFF
Ano de publicação
2023
Referência (Vancouver)
Ferreira ML, Silva TB, Oliveira GLA. Gasto com medicamentos biológicos para Artrite Reumatoide no Sistema Único de Saúde entre 2012 e 2016. J Assist Farmac Farmacoecon. 2023;8(Suppl 2).
Identificador
2023JAFF031
Title
Spending on Biologic Drugs for Rheumatoid Arthritis in the Unified Health System between 2012 and 2016
Document type
Abstract
Description
Abstract published in the Journal of Pharmaceutical Care and Pharmacoeconomics (JAFF)
Source
JAFF
Publication year
2023
Reference (Vancouver)
Ferreira ML, Silva TB, Oliveira GLA. Gasto com medicamentos biológicos para Artrite Reumatoide no Sistema Único de Saúde entre 2012 e 2016. J Assist Farmac Farmacoecon. 2023;8(Suppl 2).
Identifier
2023JAFF031
Resumo
Introdução: No Brasil, a dispensação de medicamentos para o tratamento da AR é feita por meio do Componente Básico da Assistência Farmacêutica (analgésico e anti-inflamatórios) e do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) (demais medicamentos). Neste, há padronização pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para AR. O tratamento de pacientes com AR inclui o uso de antiinflamatórios não esteroidais, glicocorticoides, medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD) – sintéticos (metotrexato, sulfassalazina, leflunomida e hidroxicloroquina), biológicos e imunossupressores. Atualmente, em uma economia com cenário de escassez de recursos é essencial realizar análise de impacto orçamentário (AIO), pois esta metodologia permite estimar a viabilidade financeira de uma tecnologia em um serviço ou sistema de saúde, subsidiando os profissionais e gestores de saúde no processo de tomada de decisão. Além disso, o dinâmico lançamento de novas tecnologias em saúde no mercado e o envelhecimento da população são fatores que têm provocado crescente pressão sobre o orçamento dos sistemas de saúde. Objetivo: Analisar a evolução do impacto orçamentário dos medicamentos biológicos incorporados para artrite reumatoide (AR) ao Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2012 a 2016. Material e Método: Estudo retrospectivo, analítico, de dados secundários em série histórica, sobre a evolução do impacto orçamentário dos medicamentos biológicos incorporados ao SUS para tratamento da AR. O cálculo do Market Share foi obtido da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órtese, Prótese e Materiais Especiais do SUS (SIGTAP). Os recursos do orçamento federal foram extraídos do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento Federal (Siop) e, os valores das aquisições do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) entre 2012 a 2016. Resultados: No período analisado foram incorporados ao SUS 80 medicamentos, sendo 21 (26,25%) biológicos, 8 (10, %) biológicos para tratar AR e 51 ( 63,75%) sintéticos. As despesas pagas em termos reais referentes a aquisição dos medicamentos biológicos para AR incorporados ao SUS, corresponderam a 1,4 bilhão (54%) em 2012, R$ 1,8 bilhão (49%) em 2013, R$1,6 bilhão (52%) em 2014, R$1,6 bilhão (53%) em 2015 e R$ 1,9 bilhão (65%) em 2016 do valor total despendido no CEAF. Aplicando o método proposto nesta pesquisa, foi possível estratificar o montante do orçamento aprovado no CEAF para medicamentos sintéticos, biológicos e biológicos para AR incorporados ao SUS. Os gastos com medicamentos biológicos para AR realizados pelo CEAF, destacaram-se pela magnitude da sua expansão entre 2012 e 2016, de R$1,4 bilhão para R$ 1,9 bilhão (Gráfico1). Atualmente, o elenco do gasto pelo CEAF cujo financiamento está sob a responsabilidade exclusiva da União, é composto por outros fármacos que compõem a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), pagamento de ações judiciais e transporte. O valor anual gasto pelo MS em 2012 possibilitou tratar 4.769 (12,81%) pacientes com infliximabe, 17.440 (46,86%) com adalimumabe e 15.007 (40,32%) com etanercepte, correspondendo ao custo de R$47.289,00, R$41.919,00 e R$29.253,00, respectivamente. O adalimumabe representou, em 2016, a maior demanda 21.726 (32,96%) alcançando um dispêndio anual pelo MS de R$32.202,00 por paciente, seguido do etanercepte 19.304 (29,29%) com R$22.947,00 e golimumabe 7.076 (10,74%) com R$12.261,00. As tecnologias que apresentaram os maiores valores anuais gastos e pouca demanda foram o infliximabe (R$75.677,00) correspondendo a 4.498 (6,82%) pacientes tratados e o rituximabe (R$67.553,00) semelhante a 2.600 (3,94%). No período de 2012 a 2016, entre os medicamentos que já eram disponibilizados pelo SUS (adalimumabe, etanercepte e infliximabe), em média o adalimumabe representou a maior taxa de crescimento de usuários (1.030 pacientes/ano), representando 25% no período. O etanercepte teve taxa de crescimento semelhante (1.023 pacientes/ano) e uma expansão de 29% no período. Por outro lado, o infliximabe mostrou redução de 6,0% (-69 pacientes/ ano) (Gráfico 2). Discussão e Conclusões: Os resultados obitidos mostram que os medicamentos biológicos para AR ocupam 55,51% e representam uma parcela expressiva em relação ao total dos gastos com medicamentos incorporados ao SUS. Já os medicamentos sintéticos concorreram com 34,86%. Os fatos apresentados mostraram que houve ampliação do custeio do CEAF com medicamentos para AR. Por outro lado, o medicamento que teve maior contribuição em valores absolutos no orçamento do CEAF foi o adalimumabe, acompanhado pelo etanercepte e infliximabe (Tabela 3). Esse aumento pode estar relacionado ao tipo da AR, às terapias preconizadas no PCDT e, por serem de baixo custo. Observa-se um aumento de gasto absoluto entre R$ 87 e R$ 174 milhões de reais ao longo do período. Constatou-se um aumento considerável do gasto entre 2012 a 2014, concomitante com a incorporação dos 5 novos medicamentos incluídos no PCDT da doença, com a aquisição e disponibilização em 2013 e 2014. Em 2015, percebe-se uma redução na despesa anual, o que pode ter sido motivado por estratégias do Ministério da Saúde, como aumento da oferta de outras terapias, aquisição centralizada, principalmente, para ampliar o poder de compra da União, provocando redução dos preços unitários. Outra iniciativa importante no âmbito do CEAF é a aquisição por meio de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). Esses fatores podem ter provocado expansão da oferta de medicamentos biológicos para tratar AR. Este estudo observou a evolução do gasto com a aquisição de 50 J Assist Farmacêutica Farmacoeconomia 2023: 1(Suppl. 2), 10.22563/2525-7323.2023.v1.s2.p.50 medicamentos biológicos para AR e o significativo impacto econômico para o SUS. Além disso, por se tratar de tecnologias de alto custo mostrou uma evolução atrelada da disponibilidade de recursos e dos custos dos medicamentos com a ampliação da oferta de tratamento. A análise do impacto orçamentário prospectivo dos medicamentos biológicos, não apresentada durante a incorporação dos medicamentos pela Conitec é necessária, pois se constitui como mecanismo para estimar os possíveis resultados financeiros, para subsidiar a tomada de decisão quanto ao uso e difusão de tecnologias e viabilizar mudanças da oferta de insumos, terapias ou serviços à população, melhorando a assistência à saúde da população atendida.
Palavras-chave
Artrite Reumatoide | Impacto orçamentário | Medicamentos Biológicos | Orçamento Público
Notas
O registro foi originalmente publicado em português. A versão em inglês foi traduzida com o apoio de inteligência artificial.
Abstract
Introduction: In Brazil, the dispensation of medications for rheumatoid arthritis (RA) is managed through the Basic Component of Pharmaceutical Assistance (for analgesics and non-steroidal anti-inflammatory drugs) and the Specialized Component of Pharmaceutical Assistance (CEAF) for other medications. Within the CEAF, there is standardization through Clinical Protocols and Therapeutic Guidelines (PCDT) specific to RA. Treatment for RA includes non-steroidal anti-inflammatory drugs, glucocorticoids, disease-modifying antirheumatic drugs (DMARDs) such as synthetic ones (methotrexate, sulfasalazine, leflunomide, and hydroxychloroquine), biologics, and immunosuppressants. In an economy facing resource scarcity, conducting Budget Impact Analysis (BIA) is crucial, as this methodology estimates the financial feasibility of a technology within a health service or system, providing essential data for healthcare professionals and managers in decision-making processes. Furthermore, the dynamic introduction of new health technologies into the market and the aging population exert increasing pressure on healthcare budgets. Objective: To analyze the evolution of the budget impact of biologic medications incorporated for rheumatoid arthritis (RA) within the Brazilian Unified Health System (SUS) from 2012 to 2016. Material and Methods: This retrospective, analytical study utilized secondary data in a historical series to examine the budget impact evolution of biologic medications incorporated into SUS for RA treatment. Market Share calculations were derived from the International Classification of Diseases (ICD-10) and the SUS Procedures, Medications, Orthoses, Prostheses, and Special Materials Table (SIGTAP). Federal budget resources were extracted from the Integrated System of Federal Planning and Budgeting (Siop), and acquisition values from the CEAF between 2012 and 2016. Results: Over the analyzed period, SUS incorporated a total of 80 medications, including 21 (26.25%) biologics, 8 (10%) biologics specifically for RA, and 51 (63.75%) synthetic medications. Real expenditures for biologic medications for RA acquired through CEAF were R$ 1.4 billion (54%) in 2012, R$ 1.8 billion (49%) in 2013, R$ 1.6 billion (52%) in 2014, R$ 1.6 billion (53%) in 2015, and R$ 1.9 billion (65%) in 2016 of the total amount spent in CEAF. Applying the proposed method in this research enabled stratification of the approved CEAF budget amount for synthetic medications, biologics, and biologics for RA within SUS. Expenditures on biologic medications for RA through CEAF stood out due to the magnitude of their expansion from R$ 1.4 billion to R$ 1.9 billion between 2012 and 2016 (Graph 1). Currently, CEAF's budget, exclusively funded by the Union, includes other drugs from the National List of Essential Medicines (RENAME), payments for judicial actions, and transportation. The annual expenditure by the Ministry of Health (MS) in 2012 enabled treatment for 4,769 (12.81%) patients with infliximab, 17,440 (46.86%) with adalimumab, and 15,007 (40.32%) with etanercept, corresponding to costs of R$ 47,289, R$ 41,919, and R$ 29,253, respectively. Adalimumab represented the highest demand in 2016, treating 21,726 (32.96%) patients at an annual expenditure of R$ 32,202 per patient, followed by etanercept with 19,304 (29.29%) patients at R$ 22,947 and golimumab with 7,076 (10.74%) at R$ 12,261. Infliximab and rituximab, despite significant annual costs of R$ 75,677 and R$ 67,553, respectively, treated 4,498 (6.82%) and 2,600 (3.94%) patients. From 2012 to 2016, among the medications already available through SUS (adalimumab, etanercept, and infliximab), adalimumab showed the highest user growth rate (1,030 patients/year), representing a 25% increase over the period. Etanercept exhibited a similar growth rate (1,023 patients/year) with a 29% expansion, while infliximab showed a 6.0% decrease (-69 patients/year) (Graph 2). Discussion and Conclusions: The results demonstrate that biologic medications for RA account for 55.51% and represent a significant portion of the total expenditures on medications incorporated into SUS, whereas synthetic medications competed with 34.86%. The findings highlighted an increase in CEAF funding for RA medications. Adalimumab significantly contributed in absolute terms to the CEAF budget, followed by etanercept and infliximab (Table 3). This rise may be attributed to the type of RA, therapies recommended in PCDT, and their lower costs. There was an observed absolute expenditure increase ranging from R$ 87 million to R$ 174 million over the period. A considerable increase in spending from 2012 to 2014 coincided with the incorporation of five new medications into the PCDT for the disease, with procurement and availability in 2013 and 2014. A reduction in annual expenses in 2015 may have been due to Ministry of Health strategies, such as increased availability of other therapies and centralized procurement to enhance Union purchasing power, thereby reducing unit prices. Another significant initiative under CEAF is procurement through Partnerships for Productive Development (PDP). These factors likely contributed to the expanded availability of biologic medications for RA treatment. This study observed the evolution of spending on biologic medications for RA and their significant economic impact on SUS. Given their high costs, prospective budget impact analysis of biologic medications, not conducted during their incorporation by Conitec, is essential. It serves as a mechanism to estimate potential financial outcomes, aiding decision-making on the use and dissemination of technologies, and enabling changes in supply of inputs, therapies, or services to the population, thereby improving healthcare assistance.
Keywords
biologic drugs | Budget impact | Public Budget | Rheumatoid arthritis
Notes
The record was originally published in Portuguese. The English version was translated with the support of artificial intelligence.