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Dinâmica do uso da terapia gênica (TG) para atrofia muscular espinal (AME) no Brasil: lições e desafios para incorporação de terapias avançadas no futuro
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Título
Dinâmica do uso da terapia gênica (TG) para atrofia muscular espinal (AME) no Brasil: lições e desafios para incorporação de terapias avançadas no futuro
Tipo de documento
Resumo
Descrição
Resumo apresentado no 14º Fórum Brasileiro sobre Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (FAFF) e publicado no Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (JAFF)
Fonte
JAFF
Ano de publicação
2026
Referência (Vancouver)
Boa-Sorte NCA, Silva LO, Galindo AB, Milhor MV, Reis AV, Silva WJ, et al. Dinâmica do uso da terapia gênica (TG) para atrofia muscular espinal (AME) no Brasil: lições e desafios para incorporação de terapias avançadas no futuro. J Assist Farmac Farmacoecon. 2026;11.
Identificador
2026JAFF075
Title
Dynamics of Gene Therapy (GT) Use for Spinal Muscular Atrophy (SMA) in Brazil: Lessons and Challenges for the Future Incorporation of Advanced Therapies.
Document type
Abstract
Description
Abstract presented at the 14th Brazilian Forum on Pharmaceutical Care and Pharmacoeconomics (FAFF) and published in the Journal of Pharmaceutical Care and Pharmacoeconomics (JAFF)
Source
JAFF
Publication year
2026
Identifier
2026JAFF075
Resumo
Introdução: As terapias modificadoras da história natural da AME (TMHAME) começaram a ser incorporadas ao Sistema Único de Saúde(SUS) em 2019, com a nusinersena. O mais novo capítulo corresponde ao acordo de compartilhamento de risco para uso do onasemnogene abeparvovec, celebrado em 2025. Contudo, entre a aprovação da TGAME na ANVISA e a disponibilidade para acesso administrativo pelo SUS, o acesso se deu, majoritariamente, por meio da judicialização. Objetivo: Caracterizar a dinâmica do uso TGAME no Brasil, segundo aspectos geográficos, operacionais e de gastos. Métodos: Foram compiladas diversas fontes de dados, especificamente processos judiciais, relatórios de profissionais de saúde e questionários obtidos por entrevistas em visitas domiciliares a famílias cujas crianças receberam a TGAME, por meio judicial, após consentimento. Dados acerca do local de moradia e da realização da infusão, quadro clínico no momento da solicitação de uso, fluxos temporais do processo de judicialização, entre outros dados foram obtidos. Análise espacial, estatística descritiva e modelos de regressão linear multivariado foram utilizados para descrever e analisar os dados. Resultados: A região com maior número de solicitações foi a Sudeste (43,5%), seguida da Sul (19,2%). A TGAME foi solicitada com a criança sintomática na maioria dos casos (89,8%) e, somente 5,7%, sem sintomas. O início dos sintomas variou de menos de 30 dias, em geral entre a segunda e terceira semana de vida, até 30 meses [mediana(p25–p75): 4,0(2,0–7,0) meses]. Fraqueza muscular (60,4%), hipotonia (58,8%) e atraso motor (55,9%) predominaram. O tempo mediano (p25 p75) do diagnóstico foi de 5,9 (3,3–9,3) meses. Observouse uma redução significante no tempo de diagnóstico de AME entre 2018 e 2023, em média de 2,7 meses (β= 2,705; p>0,001) ao ano, saindo de uma média (DP) de 10,8 (9,2) meses, em 2018, para 3,0 (1,6) meses, em 2023. Houve uma redução anual, em média, de 6,2 meses (β= 6,212; p>0,001) na abertura do processo judicial, oscilando de uma média (DP) de 55,9 (3,5) meses, em 2017, para 3,9 (2,1) meses, em 2023, com tendência a decisão judicial favorável com a menor idade da criança (p=0,043). As solicitações judiciais da TGAME vieram de 182 municípios diferentes do Brasil, e as infusões, até 2024, foram realizadas em apenas 9 cidades, com 88,7% dos casos realizados em CuritibaPR ou São PauloSP, com mais de 90% delas realizadas em hospitais privados. Os cinco principais prescritores foram responsáveis por 61,7% dos pedidos. Cerca de 13,0% do custo dos procedimentos, em média R$ 138.187,84, foram para pagamento de honorários médicos, hospitalares, transporte e alimentação/hospedagem. Conclusões: O uso da TGAME no SUS foi realizado praticamente por meio do acesso judicial, concentrado em poucos prescritores, hospitais privados e em duas cidades brasileiras. Os indicadores de diagnóstico e início da busca pelo acesso foram reduzidos desde o início do processo, mas o custo não relacionado ao medicamento foi significativo. Redução do tempo de acesso, maior participação do SUS e regionalização do acesso são desafios para o uso das futuras TGs.
Palavras-chave
Atrofia muscular espinhal | Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) | Judicialização da saúde | Terapias avançadas
Notas
O registro foi originalmente publicado em português. A versão em inglês foi traduzida com o apoio de inteligência artificial.
Abstract
Introduction: Diseasemodifying therapies for SMA (SMADMTs) began to be incorporated into the Unified Health System (SUS) in 2019 with nusinersen. The newest chapter corresponds to the risksharing agreement for the use of onasemnogene abeparvovec, established in 2025. However, between the approval of SMA gene therapy (GTSMA) by ANVISA and its availability for administrative access through SUS, access occurred mainly through judicialization. Objective: To characterize the dynamics of GTSMA use in Brazil according to geographic, operational, and expenditure aspects. Methods: Several data sources were compiled, specifically legal proceedings, healthcare professional reports, and questionnaires obtained through interviews during home visits with families whose children received GTSMA through judicial authorization, after informed consent. Data regarding place of residence and infusion location, clinical status at the time of the treatment request, timelines of the judicialization process, among other variables, were collected. Spatial analysis, descriptive statistics, and multivariate linear regression models were used to describe and analyze the data. Results: The region with the highest number of requests was the Southeast (43.5%), followed by the South (19.2%). GTSMA was requested for symptomatic children in most cases (89.8%), while only 5.7% were asymptomatic. Symptom onset ranged from less than 30 days, generally between the second and third week of life, to 30 months median (p25–p75): 4.0 (2.0–7.0) months. Muscle weakness (60.4%), hypotonia (58.8%), and motor delay (55.9%) were predominant. The median diagnosis time (p25–p75) was 5.9 (3.3–9.3) months. A significant reduction in SMA diagnosis time was observed between 2018 and 2023, averaging 2.7 months (β = 2.705; p > 0.001) per year, decreasing from a mean (SD) of 10.8 (9.2) months in 2018 to 3.0 (1.6) months in 2023. There was an annual average reduction of 6.2 months (β = 6.212; p > 0.001) in the initiation of judicial proceedings, decreasing from a mean (SD) of 55.9 (3.5) months in 2017 to 3.9 (2.1) months in 2023, with a trend toward favorable judicial decisions among younger children (p = 0.043). Judicial requests for GTSMA originated from 182 different municipalities in Brazil, and by 2024, infusions had been performed in only 9 cities, with 88.7% of cases occurring in CuritibaPR or São PauloSP, with more than 90% performed in private hospitals. The five main prescribers were responsible for 61.7% of requests. Approximately 13.0% of procedure costs, averaging R$138,187.84, were related to medical fees, hospital costs, transportation, and food/accommodation expenses. Conclusions: The use of GTSMA within SUS occurred almost exclusively through judicial access, concentrated among a few prescribers, private hospitals, and two Brazilian cities. Diagnostic indicators and the initiation of access requests have improved since the beginning of the process, but nondrugrelated costs were significant. Reducing access time, increasing SUS participation, and regionalizing access are challenges for the use of future gene therapies.
Keywords
Advanced therapies | Health judicialization | Health technology assessment (HTA) | Spinal muscular atrophy
Notes
The record was originally published in Portuguese. The English version was translated with the support of artificial intelligence.