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Concorrência faz bem à saúde? Uma análise da estrutura de mercado e seus efeitos nos preços de medicamentos no SUS
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Título
Concorrência faz bem à saúde? Uma análise da estrutura de mercado e seus efeitos nos preços de medicamentos no SUS
Tipo de documento
Resumo
Descrição
Resumo apresentado no 14º Fórum Brasileiro sobre Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (FAFF) e publicado no Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (JAFF)
Fonte
JAFF
Ano de publicação
2026
Referência (Vancouver)
Cavalcanti ITN, Peters JR, Pedreira MM, Castro MC, Oliveira GLA, Nunes A. Concorrência faz bem à saúde? Uma análise da estrutura de mercado e seus efeitos nos preços de medicamentos no SUS. J Assist Farmac Farmacoecon. 2026;11.
Identificador
2026JAFF097
Title
Does competition do good to health? An analysis of market structure and its effects on medicine prices in SUS
Document type
Abstract
Description
Abstract presented at the 14th Brazilian Forum on Pharmaceutical Care and Pharmacoeconomics (FAFF) and published in the Journal of Pharmaceutical Care and Pharmacoeconomics (JAFF)
Source
JAFF
Publication year
2026
Identifier
2026JAFF097
Resumo
Introdução: O mercado farmacêutico, embora impulsionado pela inovação e regulação, apresenta dinâmicas comerciais complexas. No Sistema Único de Saúde (SUS), onde o modelo de compras é majoritariamente descentralizado, o grau de concentração pelo lado da oferta pode limitar a competição e favorecer práticas de precificação desfavoráveis à administração pública. Este estudo parte da hipótese de que a elevada concentração entre fornecedores dos principais medicamentos adquiridos pode reduzir a eficiência nas compras públicas, sobretudo em contextos em que não há coordenação nacional. Objetivo: Analisar a estrutura de mercado dos medicamentos mais adquiridos pelo SUS entre 2017 e 2021, considerando o grau de concentração de fornecedores e o potencial impacto sobre os preços praticados. Métodos: Estudo quantitativo com base em dados secundários de aquisições públicas de medicamentos no período de 2017 a 2021. A amostra abrangeu os medicamentos com maior volume de aquisições. Foram aplicadas as ferramentas Curva ABC, Taxa de Concentração de Mercado (TCM), participação de mercado (market share) e Índice de HerfindahlHirschman (HHI), a fim de classificar o nível de concentração por empresa e por princípio ativo. Resultados: Os medicamentos de maior movimentação financeira no SUS, como insulina (27,2% em 2019), imunoglobulina (29,7% em 2020) e fatores de coagulação (33,3% em 2021), concentram grande parcela dos recursos públicos. A Curva ABC evidenciou forte concentração: apenas 10 medicamentos responderam por cerca de 80% dos gastos anuais com aquisições. Quanto à estrutura de mercado, observouse concentração moderada ou alta em diferentes anos, com destaque para: (1) TCM: Em 2019, os cinco maiores fornecedores responderam por mais de 75% das vendas em medicamentos de alto custo; (2) HHI: O índice superou 1.800 em vários segmentos, sinalizando estrutura de mercado concentrada, especialmente em 2017 e 2019; e (3) Market Share: Alguns princípios ativos foram fornecidos majoritariamente por uma única empresa, como no caso de imunoglobulina e somatropina. A análise indica que, apesar da diversidade de itens adquiridos, o mercado se mantém concentrado em poucos fornecedores, o que pode limitar a capacidade do SUS de negociar melhores condições e reduzir preços em um cenário fragmentado de compras. Conclusões: Os resultados evidenciam que a concentração de mercado no fornecimento de medicamentos ao SUS é uma realidade persistente e com implicações relevantes. Em um ambiente de compras públicas descentralizadas, estruturas de mercado com baixa concorrência dificultam a racionalização do gasto público. O estudo reforça a importância de políticas públicas que promovam maior transparência, ampliação de concorrência e estratégias coordenadas de aquisição como instrumentos para fortalecer a eficiência da assistência farmacêutica
Palavras-chave
Análise estatística de dados | Farmacoeconomia | Preparações farmacêuticas | Sistema Único de Saúde
Notas
O registro foi originalmente publicado em português. A versão em inglês foi traduzida com o apoio de inteligência artificial.
Abstract
Introduction: The pharmaceutical market, although driven by innovation and regulation, presents complex commercial dynamics. In the Unified Health System (SUS), where the purchasing model is mostly decentralized, the degree of concentration on the supply side can limit competition and favor pricing practices that are unfavorable to public administration. This study is based on the hypothesis that high concentration among suppliers of the main purchased medicines can reduce efficiency in public procurement, especially in contexts where there is no national coordination. Objective: To analyze the market structure of the most purchased medicines by SUS between 2017 and 2021, considering the degree of supplier concentration and the potential impact on prices charged. Methods: Quantitative study based on secondary data on public drug purchases from 2017 to 2021. The sample covered the medicines with the highest volume of purchases. The ABC Curve, Market Concentration Rate (MCR), market share, and HerfindahlHirschman Index (HHI) tools were applied to classify the level of concentration by company and active ingredient. Results: The medicines with the highest financial movement in SUS, such as insulin (27.2% in 2019), immunoglobulin (29.7% in 2020), and clotting factors (33.3% in 2021), concentrate a large share of public resources. The ABC Curve showed strong concentration: only 10 medicines accounted for around 80% of annual acquisition expenses. Regarding market structure, moderate or high concentration was observed in different years, highlighting: (1) MCR: In 2019, the five largest suppliers accounted for more than 75% of sales in highcost medicines; (2) HHI: The index exceeded 1,800 in several segments, signaling a concentrated market structure, especially in 2017 and 2019; and (3) Market Share: Some active ingredients were supplied mainly by a single company, as in the case of immunoglobulin and somatropin. The analysis indicates that, despite the diversity of items purchased, the market remains concentrated in few suppliers, which may limit the capacity of SUS to negotiate better conditions and reduce prices in a fragmented purchasing scenario. Conclusions: The results show that market concentration in the supply of medicines to SUS is a persistent reality with relevant implications. In a decentralized public procurement environment, market structures with low competition hinder the rationalization of public spending. The study reinforces the importance of public policies that promote greater transparency, increased competition, and coordinated acquisition strategies as instruments to strengthen the efficiency of pharmaceutical care.
Keywords
Brazilian Unified Health System (SUS) | Pharmaceutical preparations | Pharmacoeconomics | Statistical data analysis
Notes
The record was originally published in Portuguese. The English version was translated with the support of artificial intelligence.