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Ustequinumabe para o tratamento de pacientes com doença de Crohn ativa moderada a grave
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Título
Ustequinumabe para o tratamento de pacientes com doença de Crohn ativa moderada a grave
Tipo de documento
Dossiê Conitec
Document type
Conitec Dossier
Descrição
Relatório de Recomendação
Description
Recommendation Report
Fonte
Ministério da Saúde
Ano de publicação
2024
Autoria
Referência (Vancouver)
Ministério da Saúde (BR). Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Ustequinumabe para o tratamento de pacientes com Doença de Crohn ativa moderada a grave [Internet]. CONITEC; 2024. Relatório Técnico nº 864. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2024/20240123_relatorio_864_ustequinumabe.pdf
Identificador
2024CON001
Resumo
Tecnologia: Ustequinumabe (UST). Indicação: Doença de Crohn (DC) ativa moderada a grave. Demandante: Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS/MS) e demanda externa da Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda do Brasil. Introdução: A DC é uma doença inflamatória intestinal resultante da ativação imune inadequada da mucosa, caracterizada por períodos de manifestações agudas e remissões, o que torna o tratamento desta condição complexo. De forma geral, o tratamento inclui a fase de indução e em seguida uma fase de manutenção. Nos casos considerados moderados a graves, em ambas as fases, corticosteroides, azatioprina e metotrexato podem ser utilizados, a depender da resposta de cada paciente. No entanto, nos casos em que há contraindicação, falha ou intolerância ao tratamento, os anti-TNF e o UST (anti-interleucina 12/23) são os biológicos de escolha. Pergunta: O UST é uma alternativa segura e eficaz para pacientes com DC ativa moderada a grave (1) com indicação de terapia biológica e com contraindicação aos anti-TNF e (2) com indicação de terapia biológica e com falha ou intolerância aos anti-TNF? O demandante externo elaborou a seguinte pergunta de pesquisa: Stelara®(UST) é eficaz e seguro no tratamento de pacientes com doença de Crohn ativa moderada-grave, após falha ou contraindicados ao tratamento com terapias anti-TNF, em comparação com placebo + tratamento convencional? Evidências clínicas: Foram incluídos 13 estudos, sendo seis Revisões Sistemáticas com meta-análise e sete Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs). Dentre os efeitos desejáveis, o UST demonstrou superar o placebo para obtenção de resposta clínica e remissão clínica em pacientes com DC ativa moderada a grave com indicação de terapia biológica e com falha ou intolerância aos anti-TNF. Contudo, UST não apresentou benefícios adicionais ao ser comparado com o adalimumabe (ADA), infliximabe (IFX) e certolizumabe (CZP). Com relação ao perfil de segurança, o UST se assemelhou a todos os comparadores. Foi encontrado um estudo abordando a melhora na qualidade de vida de pacientes com DC ativa moderada a grave em uso de UST comparado ao placebo. Ainda, é importante destacar que não foram encontrados estudos que abordassem o uso de UST para pacientes com DC ativa moderada a grave, com indicação de terapia biológica e com contraindicação aos anti-TNF. Em geral, para todos os desfechos, a certeza da evidência foi considerada alta ao comparar UST com placebo. Já para os anti-TNFs, a avaliação da certeza geral da evidência, a partir das meta-análises em rede incluídas, revela que os resultados obtidos para desfechos de eficácia e segurança foram considerados com nível de confiança moderado. Na análise do demandante externo, os 6 estudos de fase 3 incluídos sugerem que o UST atende a uma necessidade médica atual não atendida, fornecendo uma opção de tratamento adicional para pacientes com DC ativa moderada a grave com um novo mecanismo de ação que pode induzir e manter a resposta e remissão clínica e, como consequência, melhorar a QVRS do paciente, ao mesmo tempo em que fornece um esquema de dosagem minimamente invasivo. Avaliação econômica: Para análise de custo-efetividade, o UST foi comparado à terapia padrão (azatioprina, corticosteroide e metotrexato) em pacientes adultos com DC ativa moderada a grave, com indicação de terapia biológica e com contraindicação aos anti-TNF e, comparado também, a ADA, CZP e IFX para pacientes com DC ativa moderada a grave, com indicação de terapia biológica e com falha ou intolerância a um anti-TNF. O modelo econômico da demanda interna foi composto por duas partes, sendo a primeira um modelo de árvore de decisão com 2 semanas de seguimento, para modelar a etapa de indução, seguida por um modelo de Markov, com ciclos de 2 semanas, considerando um horizonte temporal lifetime, para modelar a fase de manutenção do tratamento. O modelo mostrou maior eficácia e maior custo total de tratamento com UST comparado a terapia padrão (R$ 198.367,38/QALY e R$ 280.170,43/remissão clínica) e UST comparado a ADA e CZP (RCEI de R$56.733,30 e R$ 60.783,61 por QALY e R$ 392.587,42 e R$ 25.311,25 por remissão clínica, respectivamente). Na comparação com IFX, UST apresentou maior efetividade e menor custo (-R$ 153.545,35/QALY e -R$ 66.217,02/remissão clínica). O demandante externo considerou como população elegível pacientes com DC ativa moderada a grave que falharam ao anti-TNF. O comparador escolhido então foi a terapia convencional, composta pelos medicamentos azatioprina, metilprednisolona, metotrexato e prednisona. O demandante externo também elaborou um modelo composto por duas partes, porém ambas as partes do modelo consideraram um ciclo de 4 semanas de seguimento, considerando um horizonte temporal lifetime, para modelar a fase de manutenção do tratamento. O demandante externo propõe um programa de solução logística para as doses de indução de UST, que serão oferecidas sem custos ao SUS. Com relação às doses de manutenção, o demandante optou por seguir com a comercialização ao SUS para DC das doses de 45 mg, atualmente já utilizadas para a indicação de psoríase no sistema público, com o mesmo preço unitário. A RCEI da incorporação de UST em comparação à terapia convencional para o desfecho em QALY foi de R$ 125.765,47, com 0,71 QALYs ganhos. Análise de impacto orçamentário: A estimativa da população elegível para uso da tecnologia em análise foi de 114 pacientes com DC moderada a grave, com indicação de terapia biológica e com contraindicação aos anti-TNF e de 5.223 indivíduos com DC moderada a grave, com indicação de terapia biológica e com falha ou intolerância ao uso de anti-TNF. No cenário base, considerando um cenário conservador com difusão de 5% no primeiro ano, o impacto orçamentário incremental para pacientes com DC ativa moderada a grave, com indicação de terapia biológica e com contraindicação aos anti-TNF é de R$ 73.474,00 no primeiro ano e com a difusão chegando em 25% no quinto ano o impacto orçamentário foi de R$ 618.818,00, o impacto orçamentário incremental acumulado ao longo dos 5 anos foi de R$ 1.602.388,00. Já para pacientes com DC ativa moderada a grave, com indicação de terapia biológica e com falha ou intolerância aos anti-TNF, o cenário proposto assumiu uma incorporação de 2,5% no primeiro ano, chegando a 12,5% em 5 anos, com impacto orçamentário incremental de R$2.150.525,00 no primeiro ano e de R$ 11.320.249,00 no quinto ano, totalizando um impacto orçamentário acumulado de R$ 33.420.663,00 em 5 anos. O demandante externo estimou que 1.263 pacientes com DC ativa moderada a grave que falharam ao anti-TNF como população elegível. O comparador escolhido então foi a terapia convencional, composta pelos medicamentos azatioprina, metilprednisolona, metotrexato e prednisona. A análise impacto orçamentário do demandante adotou um market share progressivo entre 20% e 80% nos 5 anos de análise. O impacto orçamentário acumulado em 5 anos foi de R$ 120 milhões. Recomendações internacionais: As agências Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health (CADTH), do Canadá; National Institute for Health and Care Excellence (NICE), do Reino Unido; Scottish Health Technologies Group (SMC), da Escócia; Haute Autorité de Santé (HAS), da França; Pharmaceutical Benefits Advisory Committee (PBAC), da Austrália, apresentam recomendações favoráveis para o uso de UST em pacientes com DC. Cabe destacar que a agência canadense recomenda o uso deste tratamento para pacientes adultos com DC ativa moderada a grave que tiveram uma resposta inadequada, perda de resposta ou intolerância a imunomoduladores ou a um ou mais antagonistas do TNF-alfa ou que tiveram uma resposta inadequada, intolerância ou dependência demonstrada a corticosteroides. Enquanto o NICE e a SMC incluem também pacientes que apresentam contraindicações médicas para estas terapias. Monitoramento do Horizonte Tecnológico: Foram detectadas sete tecnologias potenciais para o tratamento de pacientes diagnosticados com doença de Crohn ativa moderada a grave, com indicação de terapia biológica e contraindicação, falha ou intolerância a tratamentos prévios. Upadacitinibe é um inibidor de JAK1, brazicumabe, guselcumabe, miriquizumabe e risanquizumabe são antagonistas da IL-23 e etrasimode e ozanimode, agonistas do receptor S1P1. Apenas upadacitinibe e risanquizumabe possuem registro para a indicação nas agências FDA e EMA. Considerações finais: As evidências obtidas demonstraram que o UST superou o placebo, e foi semelhante aos demais anti-TNF avaliados, em relação a resposta clínica e remissão clínica em pacientes com DC ativa moderada a grave com indicação de terapia biológica e com falha ou intolerância aos anti-TNF. No entanto, foi semelhante aos seus comparadores em relação à segurança. A certeza da evidência foi considerada alta ao comparar UST com placebo para todos os desfechos. Já para os anti-TNFs, a avaliação da certeza geral da evidência, a partir das meta-análises em rede incluídas, revela um nível de confiança moderado para todos os desfechos. Na avaliação econômica, o modelo foi composto pelo modelo árvore de decisão com 2 semanas de seguimento (etapa de indução) e modelo de Markov (fase de manutenção), com ciclos de 2 semanas, que mostraram maior eficácia e maior custo total de tratamento com UST comparado a terapia padrão (R$ 198.367,38/QALY e R$ 280.170,43/remissão clínica) e UST comparado a ADA e CZP (RCEI de R$ 56.733,30 e R$ 60.783,61 por QALY e R$ 392.587,42 e R$ 25.311,25 por remissão clínica, respectivamente). Na comparação com IFX, UST apresentou maior efetividade e menor custo (- R$ 153.545,35/QALY e - R$ 66.217,02/remissão clínica). A análise de impacto orçamentário apresentou o valor de aproximadamente R$ 1,60 milhões em 5 anos, em um cenário conservador, para pacientes com DC ativa moderada a grave, com indicação de terapia biológica e com contraindicação aos anti-TNF, e de R$ R$ 33,42 milhões em 5 anos, também em um cenário conservador, para pacientes com DC ativa moderada a grave, com indicação de terapia biológica e com falha ou intolerância aos anti-TNF. O demandante externo avaliou o uso do UST comparado a placebo ou tratamento convencional e teve resultados semelhantes em benefícios clínicos e segurança aos descritos pelo NATS parecerista. A avaliação econômica e a análise de impacto orçamentário apresentam diferenças significativas em relação à demanda interna, resultando em um RCEI de R$ 125.765,47, com 0,71 QALYs ganhos e um impacto orçamentário acumulado em 5 anos de R$ 120 milhões. Perspectiva do paciente: Foi aberta Chamada Pública nº 23/2023 para inscrição de participantes para a Perspectiva do Paciente durante o período de 13/07/2023 a 23/07/2023 e 100 pessoas se inscreveram. A indicação dos representantes titular e suplente foi definida por sorteio, realizado em plataforma on-line e disponibilizado o link para os inscritos acompanharem em tempo real. O sorteio também foi gravado e enviado posteriormente a todos os inscritos. Durante seu relato, a representante pontuou que o ustequinumabe contribuiu para a controle dos sintomas, para a remissão da doença e teve impactos positivos na sua qualidade de vida. Atualmente está bem, assintomática e segue utilizando o medicamento. Recomendação preliminar da Conitec: Os membros do Comitê de Medicamentos presentes na 123ª Reunião Ordinária da Conitec, realizada no dia 04 de outubro de 2023, deliberaram por unanimidade que a matéria fosse disponibilizada em consulta pública com recomendação preliminar desfavorável à incorporação no SUS do ustequinumabe para o tratamento de pacientes com Doença de Crohn ativa moderada a grave, considerando o alto custo incremental da tecnologia.
Palavras-chave
Observações
Título, resumo e palavras-chave em inglês gerados por inteligência artificial.
Observation
Title, abstract, and keywords in English generated by artificial intelligence.
Elaboração | Drafting
Ana Flávia Redolfi Oliota | Bárbara Corrêa Krug | Beatriz Antunes de Mattos | Candice Beatriz Treter Gonçalves | Felipe Mainka | Mariana Fachi | Paulo Dornelles Picons
Coordenação | Coordination
Revisão | Review
Bruna Bento dos Santos | Clementina Corah Lucas Prado | Stéfani Sousa Borges
Supervisão | Supervision
Clementina Corah Lucas Prado | Luciene Fontes Schluckebier Bonan
Reunião Conitec
123ª REUNIÃO DA CONITEC
Conitec meeting
123rd CONITEC Meeting
Título
Apreciação inicial do ustequinumabe para pacientes com doença de Crohn ativa moderada a grave, após falha ao tratamento com uso de anti-TNF ou pacientes contraindicados ao uso de anti-TNF
Title
Initial assessment of ustekinumab for patients with moderate to severe active Crohn's disease, after treatment failure with anti-TNF or in patients contraindicated for the use of anti-TNF
Condição
Parecer desfavorável
Status
Unfavorable opinion
Data
04/10/2023 - Manhã
Date
October 4, 2023 - Morning
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Ata
https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/reuniao_conitec/2023/ata_123_reuniao_da_conitec_comite_de_medicamentos.pdf | Título do tema: Ustequinumabe para o tratamento de pacientes com Doença de Crohn ativa moderada a grave. Tecnologia: Ustequinumabe. Indicação: Tratamento de pacientes com doença de Crohn ativa moderada a grave, após falha ou intolerância ao tratamento com uso de anti-TNF ou contraindicação ao uso de antiTNF. Solicitação: Incorporação. Demandante: Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde (SECTICS/MS) e demanda externa da Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda do Brasil. Apresentação: Colaboradores do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (NATS) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, consultores técnicos do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde (DGITS) e representante de pacientes. ATA: A discussão teve início com a abertura realizada pela representante da SECTICS. Em seguida, o NATS elaborador iniciou uma apresentação abordando a clínica e o tratamento da Doença de Crohn, bem como a tecnologia em avaliação. O colaborador do NATS também esclareceu que o relatório de recomendação apresentado era composto por estudos solicitados pela SECTICS/MS e de uma análise crítica de um dossiê enviado pela Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda do Brasil, fabricante do ustequinumabe. A síntese de evidência da demanda interna se baseou em duas perguntas de pesquisa: “O UST é uma alternativa segura e eficaz para pacientes com DC ativa moderada a grave (1) com indicação de terapia biológica e com contraindicação aos anti-TNF e (2) com indicação de terapia biológica e com falha ou intolerância aos anti-TNF?”. Já o demandante externo elaborou a seguinte pergunta de pesquisa: “Stelara®(UST) é eficaz e seguro no tratamento de pacientes com doença de Crohn ativa moderada-grave, após falha ou contraindicados ao tratamento com terapias anti-TNF, em comparação com placebo + tratamento convencional?”. Na demanda interna, a pergunta que abrangeu pacientes com contraindicação aos anti-TNF utilizou o tratamento padrão e o placebo como comparadores, enquanto a pergunta que incluiu pacientes com falha ou intolerância aos anti-TNF usou os próprios anti-TNF e o placebo como comparadores. Por outro lado, na demanda externa, embora a pergunta englobasse tanto pacientes com contraindicação quanto aqueles com falha aos anti-TNF, os comparadores considerados foram exclusivamente o tratamento convencional e o placebo. Em resumo, o colaborador do NATS apresentou dados que apontam que o ustequinumabe mostrou-se mais eficaz do que o placebo na indução de resposta e remissão clínica em pacientes com Doença de Crohn moderada a grave, embora não tenha demonstrado benefícios adicionais em comparação com os anti-TNF. Quanto ao perfil de segurança e tolerabilidade, o ustequinumabe foi semelhante a todos os comparadores. Esses achados relativos à comparação com o placebo foram corroborados na demanda externa. Na demanda interna, a certeza nas evidências foi considerada alta para todos os desfechos quando o ustequinumabe foi comparado ao placebo e moderada quando comparado aos anti-TNF. Na demanda externa, a certeza nas evidências foi considerada alta para os desfechos de eficácia e moderada para os desfechos de segurança quando o ustequinumabe foi comparado ao placebo. No que diz respeito à avaliação econômica, os resultados mostraram que o ustequinumabe demonstrou maior eficácia, mas também maior custo total de tratamento em comparação com a terapia padrão (RCEI de R$ 198.367,38/QALY e R$ 280.170,43/remissão clínica) e em comparação com o adalimumabe e o certolizumabe (RCEI de R$56.733,30 e R$ 60.783,61 por QALY e R$ 392.587,42 e R$ 25.311,25 por remissão clínica, respectivamente). No entanto, em comparação com o infliximabe, o ustequinumabe apresentou maior efetividade e menor custo (-R$ 153.545,35/QALY e -R$ 66.217,02/remissão clínica). Com diferenças significativas no modelo econômico, o demandante externo apresentou uma RCEI para a incorporação do ustequinumabe em comparação com a terapia convencional de R$ 125.765,47/QALY. O NATS destacou que ao estabelecer o preço do medicamento utilizado no modelo, considerou-se o preço proposto pelo demandante externo para a dose de 45mg, bem como o menor preço disponível no Banco de Preços em Saúde para a dose de 130mg. Essa escolha foi feita pois optou-se por não considerar no modelo da demanda interna a proposta do demandante externo de doação da apresentação de 130mg, usadas na fase de indução do tratamento. Na análise de impacto orçamentário, a projeção da população elegível para a incorporação da tecnologia em análise incluiu 114 pacientes com contraindicação ao uso de anti-TNF no primeiro ano, bem como 5.223 indivíduos com falha ou intolerância ao tratamento com anti-TNF também no primeiro ano. O market share estabelecido na demanda interna variou de 2,5% a 20% ao longo de 5 anos em um cenário conservador e de 10% a 50% em um cenário agressivo, para pacientes com contraindicação aos anti-TNF. Para a população com intolerância ou falha aos anti-TNF, o market share variou de 2,5% a 12,5% em um cenário conservador e de 5,0% a 25% em um cenário agressivo. No cenário base, seguindo a abordagem conservadora, o impacto orçamentário incremental para pacientes com Doença de Crohn contraindicados aos anti-TNF, foi de R$ 73.474 no primeiro ano, resultando em um impacto orçamentário incremental acumulado ao longo dos 5 anos de R$ 1.602.388. Para aqueles com falha ou intolerância aos anti-TNF, o cenário conservador proposto levou a um impacto de R$ 2.150.525 no primeiro ano, totalizando um impacto orçamentário acumulado de R$ 33.420.663 ao longo de cinco anos. O demandante externo estimou que 1.263 pacientes seriam elegíveis para o tratamento no primeiro ano de incorporação, com uma participação de mercado variando de 20% a 80% ao longo dos cinco anos de análise. O impacto orçamentário incremental ao longo de cinco anos foi de R$ 120.080.763. Em relação às recomendações das agências de avaliação de tecnologias em saúde internacionais, o Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health (CADTH), do Canadá; o National Institute for Health and Care Excellence (NICE), do Reino Unido; o Scottish Health Technologies Group (SMC), da Escócia; o Haute Autorité de Santé (HAS), da França; e o Pharmaceutical Benefits Advisory Committee (PBAC), da Austrália, apresentam recomendações favoráveis para o uso de ustequinumabe em pacientes com Doença de Crohn. No monitoramento do horizonte tecnológico, foram identificadas sete tecnologias potenciais para o tratamento de pacientes com doença de Crohn ativa moderada a grave, com indicação de terapia biológica e contraindicação, falha ou intolerância a tratamentos prévios: upadacitinibe, brazicumabe, guselcumabe, miriquizumabe, risanquizumabe, etrasimode e ozanimode. Apenas upadacitinibe e risanquizumabe possuem registro para a indicação nas agências FDA e EMA. Na sequência, foi iniciada a perspectiva do paciente. A participante, residente em Salvador (BA), compartilhou sua jornada ao ser diagnosticada com a doença de Crohn há 15 anos, destacando que tem utilizado imunobiológicos desde então. Ela enfatizou o impacto negativo da doença em sua vida e rotina diária, realçando como a doença afetou sua qualidade de vida. A paciente também compartilhou imagens de colonoscopias que, segundo ela, evidenciam a eficácia do medicamento na redução dos sintomas e remissão da doença. Ela relatou também não ter apresentado eventos adversos ao ustequinumabe. Em relação a outros tratamentos para a doença, a paciente explicou que não obteve sucesso com nenhum deles, e atualmente encontra-se assintomática, mantendo o uso contínuo do ustequinumabe. Quando questionada pela representante do Conselho Nacional de Saúde (CNS) sobre a duração de cada tratamento anterior, a paciente não soube fornecer detalhes. Por fim, ustequinumabe, sua saúde estaria em risco e concluiu falando sobre a relevância do acesso ao medicamento pelo SUS. Posteriormente, o representante da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) questionou a paciente sobre o período necessário para entrar na fase de manutenção e a periodicidade do uso do medicamento atualmente. A representante respondeu que faz uso do medicamento desde 2018 e, atualmente, administra doses a cada quatro semanas para manter sua condição estável. Em seguida, deu-se início à apresentação da especialista clínica, que ressaltou o aumento na prevalência da Doença de Crohn ao longo dos anos. No que diz respeito ao perfil dos pacientes, ela destacou que aproximadamente 30-40% são não respondedores primários aos tratamentos com medicamentos anti-TNF. Para aqueles que inicialmente respondem positivamente a esses tratamentos, 30% acabam perdendo a resposta ao adalimumabe, 33% ao infliximabe e 41% ao certolizumabe. O risco de perda de resposta aumenta 20,9% por paciente ao ano. Por fim, a especialista enfatizou que os pacientes que não respondem inicialmente aos medicamentos anti-TNF devem ser direcionados para tratamentos com mecanismos de ação diferentes. Aqueles que perdem a resposta a um anti-TNF podem considerar a transição para outro medicamento da mesma classe. Além disso, a especialista ressaltou que existem contraindicações para o uso de anti-TNF, tais como insuficiência cardíaca e condições desmielinizantes. Ela destacou a importância de agir dentro da "janela de oportunidade" (que ocorre entre 18 e 24 meses após o diagnóstico) para evitar danos irreversíveis. Após a conclusão da apresentação, a representante da SECTICS perguntou à especialista sobre o significado clínico da perda de resposta secundária aos medicamentos anti-TNF. A especialista explicou que essa perda de resposta pode ocorrer devido à formação de anticorpos contra o medicamento ou ao desenvolvimento de uma via inflamatória alternativa. O representante da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES) perguntou se a especialista considera o tema em análise como uma demanda não atendida e se é possível retornar ao tratamento convencional após falha aos anti-TNF. A especialista enfatizou que, em sua opinião, essa é, de fato, uma demanda não atendida, e que quando os pacientes necessitam de imunobiológicos é porque não obtiveram resposta satisfatória com o tratamento convencional. Após uma revisão do impacto orçamentário apresentado pelo NATS, o representante da SAES observou que considera mais apropriado o market share apresentado na demanda externa, no que diz respeito aos pacientes com contraindicação aos anti-TNF. Isso se deve ao fato de que, para esses pacientes, o ustequinumabe representaria a única alternativa de tratamento. Por outro lado, o representante da SAES considerou adequado o market share apresentado na demanda interna, para pacientes com intolerância ou falha no tratamento com anti-TNF. Uma vez que o comitê não tinha mais dúvidas a serem esclarecidas com a especialista, o tema foi encaminhado para discussão entre os membros. A representante da SECTICS resumiu as principais discussões que ocorreram a respeito do tema. O representante da SAES mencionou a possibilidade de se buscar uma proposta de redução de preço com a fabricante do medicamento, visando tornar o perfil econômico mais favorável. Ele também expressou a convicção de que, apesar das significativas diferenças em custo-efetividade entre o ustequinumabe e os anti-TNFs avaliados, de acordo com as informações da especialista clínica, os profissionais que atendem esses pacientes têm consciência da importância da prescrição criteriosa desses medicamentos. Além disso, ele acredita que o gerenciamento das opções de tratamento seria facilmente viabilizado dentro do PCDT. A representante da SECTICS enfatizou a importância da redução do preço do medicamento como um requisito fundamental para sua possível incorporação. Por sua vez, a representante do CNS salientou que não havia dúvidas quanto à relevância do medicamento e seus benefícios clínicos, mas também expressou seu apoio à redução do preço. O representante da ANVISA também se pronunciou a favor da redução de preço para que a incorporação fosse viável. Diante desse cenário, os membros do comitê deliberaram por unanimidade que o tema deveria ser submetido à consulta pública com uma recomendação preliminar desfavorável. Todos os participantes presentes afirmaram não ter conflitos de interesse relacionados ao tema em discussão. Recomendação preliminar: Os membros do Comitê de Medicamentos, presentes na 123ª Reunião da Conitec, realizada no dia 04 de outubro de 2023, deliberaram por unanimidade que a matéria fosse disponibilizada em consulta pública com recomendação preliminar desfavorável à incorporação no SUS do Ustequinumabe para o tratamento de pacientes com Doença de Crohn ativa moderada a grave.
Minutes
https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/reuniao_conitec/2023/ata_123_reuniao_da_conitec_comite_de_medicamentos.pdf | Topic Title: Ustekinumab for the treatment of patients with moderate to severe active Crohn's disease. Technology: Ustekinumab. Indication: Treatment of patients with moderate to severe active Crohn's disease, after failure or intolerance to treatment with anti-TNF or contraindication to the use of anti-TNF. Request: Incorporation. Requesting Party: Secretariat of Science, Technology, Innovation and Health Complex (SECTICS/MS) and external request from Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda do Brasil. Presentation: Collaborators from the Health Technology Assessment Center (NATS) of the Hospital de Clínicas de Porto Alegre, technical consultants from the Department of Management and Incorporation of Health Technologies (DGITS), and a patient representative. MINUTES: The discussion began with an opening statement by the SECTICS representative. Following this, the NATS team began a presentation addressing the clinical aspects and treatment of Crohn's disease, as well as the technology under evaluation. The NATS collaborator also clarified that the recommendation report presented was composed of studies requested by SECTICS/MS and a critical analysis of a dossier sent by Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda do Brasil, the manufacturer of ustekinumab. The synthesis of evidence for the internal request was based on two research questions: “Is UST a safe and effective alternative for patients with moderate to severe active Crohn's disease (1) with an indication for biological therapy and contraindications to anti-TNF and (2) with an indication for biological therapy and failure or intolerance to anti-TNF?”. The external requester formulated the following research question: “Is Stellara® (UST) effective and safe in the treatment of patients with moderate to severe active Crohn's disease, after failure or contraindication to treatment with anti-TNF therapies, compared to placebo + conventional treatment?”. In the internal query, the question encompassing patients with contraindications to anti-TNF drugs used standard treatment and placebo as comparators, while the question including patients with failure or intolerance to anti-TNF drugs used anti-TNF drugs themselves and placebo as comparators. On the other hand, in the external query, although the question included both patients with contraindications and those with failure to anti-TNF drugs, the comparators considered were exclusively conventional treatment and placebo. In summary, the NATS collaborator presented data indicating that ustekinumab was more effective than placebo in inducing response and clinical remission in patients with moderate to severe Crohn's disease, although it did not demonstrate additional benefits compared to anti-TNF drugs. Regarding the safety and tolerability profile, ustekinumab was similar to all comparators. These findings regarding the comparison with placebo were corroborated in the external query. In the internal query, the certainty of the evidence was considered high for all outcomes when ustekinumab was compared to placebo and moderate when compared to anti-TNF drugs. In the external demand analysis, the certainty of the evidence was considered high for efficacy outcomes and moderate for safety outcomes when ustekinumab was compared to placebo. Regarding the economic evaluation, the results showed that ustekinumab demonstrated greater efficacy, but also a higher total treatment cost compared to standard therapy (ICER of R$ 198,367.38/QALY and R$ 280,170.43/clinical remission) and compared to adalimumab and certolizumab (ICER of R$ 56,733.30 and R$ 60,783.61 per QALY and R$ 392,587.42 and R$ 25,311.25 per clinical remission, respectively). However, compared to infliximab, ustekinumab showed greater effectiveness and lower cost (-R$ 153,545.35/QALY and -R$ 66,217.02/clinical remission). With significant differences in the economic model, the external applicant presented an ICER for the incorporation of ustekinumab compared to conventional therapy of R$ 125,765.47/QALY. NATS highlighted that when establishing the price of the medication used in the model, the price proposed by the external applicant for the 45mg dose was considered, as well as the lowest price available in the Health Price Bank for the 130mg dose. This choice was made because the external applicant's proposal for donation of the 130mg presentation, used in the induction phase of treatment, was not considered in the internal demand model. In the budget impact analysis, the projected population eligible for the incorporation of the technology under analysis included 114 patients with contraindications to the use of anti-TNF in the first year, as well as 5,223 individuals with treatment failure or intolerance to anti-TNF, also in the first year. The market share established in domestic demand ranged from 2.5% to 20% over 5 years in a conservative scenario and from 10% to 50% in an aggressive scenario, for patients with contraindications to anti-TNF. For the population with intolerance or failure to anti-TNF, the market share varied The cost ranged from 2.5% to 12.5% in a conservative scenario and from 5.0% to 25% in an aggressive scenario. In the baseline scenario, following the conservative approach, the incremental budgetary impact for Crohn's disease patients contraindicated to anti-TNF was R$ 73,474 in the first year, resulting in a cumulative incremental budgetary impact over 5 years of R$ 1,602,388. For those with failure or intolerance to anti-TNF, the proposed conservative scenario led to an impact of R$ 2,150,525 in the first year, totaling a cumulative budgetary impact of R$ 33,420,663 over five years. The external applicant estimated that 1,263 patients would be eligible for treatment in the first year of incorporation, with a market share ranging from 20% to 80% over the five years of analysis. The incremental budgetary impact over five years was R$ 120,080,763. Regarding recommendations from international health technology assessment agencies, the Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health (CADTH), Canada; the National Institute for Health and Care Excellence (NICE), United Kingdom; the Scottish Health Technologies Group (SMC), Scotland; the Haute Autorité de Santé (HAS), France; and the Pharmaceutical Benefits Advisory Committee (PBAC), Australia, have favorable recommendations for the use of ustekinumab in patients with Crohn's disease. In monitoring the technology horizon, seven potential technologies were identified for the treatment of patients with moderate to severe active Crohn's disease, with an indication for biological therapy and contraindication, failure, or intolerance to previous treatments: upadacitinib, brazicumab, guselcumab, miriquizumab, risankizumab, etrasimod, and ozanimod. Only upadacitinib and risankizumab are registered for this indication with the FDA and EMA agencies. Following this, the patient's perspective was introduced. The participant, a resident of Salvador (BA), shared her journey after being diagnosed with Crohn's disease 15 years ago, highlighting that she has been using immunobiologicals ever since. She emphasized the negative impact of the disease on her life and daily routine, highlighting how the disease affected her quality of life. The patient also shared colonoscopy images which, according to her, demonstrate the effectiveness of the medication in reducing symptoms and achieving remission of the disease. She also reported not having experienced any adverse events with ustekinumab. Regarding other treatments for the disease, the patient explained that she had not been successful with any of them, and is currently asymptomatic, maintaining continuous use of ustekinumab. When questioned by the representative of the National Health Council (CNS) about the duration of each previous treatment, the patient was unable to provide details. Finally, she stated that her health would be at risk with ustekinumab and concluded by discussing the importance of access to the medication through the SUS (Brazilian Public Health System). Subsequently, the representative from the National Supplementary Health Agency (ANS) questioned the patient about the time required to enter the maintenance phase and the frequency of medication use. The representative responded that she has been using the medication since 2018 and currently administers doses every four weeks to maintain her stable condition. Following this, the clinical specialist began her presentation, highlighting the increase in the prevalence of Crohn's Disease over the years. Regarding patient profiles, she emphasized that approximately 30-40% are primary non-responders to anti-TNF drug treatments. For those who initially respond positively to these treatments, 30% end up losing response to adalimumab, 33% to infliximab, and 41% to certolizumab. The risk of loss of response increases by 20.9% per patient per year. Finally, the specialist emphasized that patients who do not initially respond to anti-TNF medications should be directed to treatments with different mechanisms of action. Those who lose response to an anti-TNF may consider transitioning to another medication in the same class. Furthermore, the specialist emphasized that there are contraindications for the use of anti-TNF, such as heart failure and demyelinating conditions. She highlighted the importance of acting within the "window of opportunity" (which occurs between 18 and 24 months after diagnosis) to avoid irreversible damage. After the presentation concluded, the representative from SECTICS asked the specialist about the clinical significance of secondary loss of response to anti-TNF medications. The specialist explained that this loss of response can occur due to the formation of antibodies against the medication or the development of an alternative inflammatory pathway. The representative from the Secretariat of Specialized Health Care (SAES) asked if the specialist considers the topic under analysis as an unmet need and if it is possible to return to conventional treatment after failure with anti-TNF.
Reunião Conitec
125ª REUNIÃO DA CONITEC
Conitec meeting
125th CONITEC Meeting
Título
Apresentação da contribuição de consulta pública de ustequinumabe para pacientes com doença de Crohn ativa moderada-grave, após falha ao tratamento com uso de anti-TNF ou pacientes contraindicados ao uso de anti-TNF
Title
Presentation of the public consultation contribution on ustekinumab for patients with moderate-to-severe active Crohn's disease, after treatment failure with anti-TNF or patients contraindicated to the use of anti-TNF
Condição
Incorporação
Status
Incorporation
Data
06/12/2023 - Manhã
Date
December 6, 2023 - Morning
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Ata
https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/reuniao_conitec/2023/Atada125Reuniao_Finalaprovadana126Reuniao.pdf | Tecnologia: Ustequinumabe. Indicação: Tratamento de pacientes adultos com DC ativa de moderada a grave, que tiveram uma resposta inadequada, perda de resposta ou que foram intolerantes à terapia convencional ou ao anti-TNF-alfa ou que tem contraindicações para tais terapias. Solicitação: Ampliação de uso. Demandante: Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde (SECTICS) e Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda do Brasil. Recomendação preliminar da Conitec: Os membros do Comitê de Medicamentos presentes na 123ª Reunião Ordinária da Conitec, realizada no dia 04 de outubro de 2023, deliberaram por unanimidade que a matéria fosse disponibilizada em consulta pública com recomendação preliminar desfavorável à incorporação no SUS do Ustequinumabe para o tratamento de pacientes com Doença de Crohn ativa moderada a grave, considerando o alto custo incremental da tecnologia. Consulta Pública (CP) nº 47/2023: Disponibilizada no período de 01/11/2023 a 20/11/2023. Apresentação das contribuições recebidas na CP nº 47/2023: realizada por pareceristas do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (NATS-HCPA), participação de representantes da empresa Janssen-Cilag e de médico especialista convidado. ATA: O tópico se iniciou com a apresentação do demandante sobre o ustequinumabe, sendo apresentados o contexto clínico e a justificativa para proposta de incorporação, bem como as evidências clínicas e econômicas do medicamento. A solicitação de incorporação se baseou no fato de que pacientes com doença de Crohn com doença moderada a grave refratários aos medicamentos da classe antifator de necrose tumoral (anti-TNF) não apresentam outras opções de tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Adicionalmente, expôs sobre as principais limitações e dificuldades relacionadas ao tratamento com antiTNF e as facilidades relacionadas ao uso do ustequinumabe quando comparado aos tratamentos disponíveis no SUS. Destacou que os resultados de eficácia foram baseados em evidência de alta qualidade e que outras agências internacionais de avaliação de tecnologia sem saúde (ATS) e sociedades médicas recomendaram favoravelmente a seu uso. No que diz respeito aos aspectos econômicos, destacou as principais características do modelo e pontuou que, quando analisado pelo Comitê de medicamentos, considerou-se o limiar de custo-efetividade de R$ 120 mil por ano de vida ajustado por qualidade (QALY) ganho, o que tornou o medicamento não custo-efetivo. Entretanto, ajustando-se o limiar de disposição a pagar o PIB de 2022, o ustequinumabe foi custo-efetivo para a população pleiteada. Apesar desta explicação, a empresa demandante apresentou ainda uma nova proposta comercial em que o demandante mantém o custo da dose de indução zerado, e propõe um desconto de cerca de 5% sobre o preço proposto na incorporação da psoríase (ustequinumabe 45 mg, de 3.208,84 por 3.054.00), resultando em uma razão de custo-efetividade incremental (ICER) de R$ 119.520,97/ QALY ganho, tornando-se custo-efetivo. Consequentemente, o impacto orçamentário incremental também sofreria redução. O demandante finalizou apresentando os pontos-chave da proposta e se colocou à disposição para esclarecer dúvidas. Por solicitação da representante da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde (SECTICS), o demandante esclareceu a nova proposta comercial apresentada. Em resposta, a representante das SECTICS esclareceu que o objetivo em se estabelecer um limiar de custo-efetividade é comparar a eficiência entre diferentes estratégias no contexto do SUS, não de estabelecer um limiar para que propostas de preços sejam feitas. Outra representante da empresa demandante esclareceu que a nova proposta considerou o limiar de custo-efetividade como um dos critérios para se chegar ao preço, mas que outros fatores foram levados em consideração. Conforme solicitado, o demandante esclareceu que a doação do ustequinumabe para a fase de indução seria semelhante ao modo como é feito atualmente para os pacientes com psoríase, com a diferença que a apresentação de 130 mg também seria acrescentada na pauta para distribuição. Assim, seria necessário em um novo contrato o quantitativo de pacientes com psoríase, de pacientes com doença de Crohn em fase de manutenção e de indução. A doação do ustequinumabe para a fase de indução é válida para todo o tempo de incorporação. Sem mais dúvidas para os representantes da empresa demandante, estes foram dispensados e seguiu-se a discussão do tema. Representante do NATS-HCPA apresentou as contribuições da Consulta Pública no 47/2023, a respeito da matéria. Foram recebidas 1.235 contribuições, sendo 730 de experiência e opinião e 505 técnico-científicas. A totalidade das contribuições opinou a favor da incorporação do ustequinumabe para a indicação pleiteada, por ambos os formulários. Foram destacadas as necessidades médicas não atendidas dos pacientes refratários aos anti-TNF, o custo do medicamento, judicialização do medicamento, recomendações por outras agências de ATS, comodidade posológica, facilidades em locais em que não há centros de infusão, inequidades, necessidade de ampliar o arsenal terapêutico para além de um único mecanismo de ação, críticas ao modelo econômico (custo do medicamento na fase de indução e ajuste do limiar de custo-efetividade para o ano de 2023) e baixas taxas de difusão do medicamento. Dente os anexos, não foram enviadas evidências clínicas adicionais, tendo destaque as cartas de posicionamento enviadas por profissionais de saúde e diferentes instituições se posicionando a favor da incorporação. Com base nas críticas ao modelo econômico do NATS-HCPA, que contemplou duas populações, e na nova proposta de preço apresentada pela empresa fabricante, análises complementares foram apresentadas. Considerando-se o custo da fase de indução zero e a nova redução de preço para R$ 3.504,00, no modelo desenvolvido pelo NATS-HCPA a adoção do ustequinumabe resultou em ICER de cerca de R$ 173,5 mil/ QALY ganho quando comparado à terapia padrão para pacientes com indicação à terapia biológica e contraindicação anti-TNF; foi dominante quando comparado a infliximabe e teve ICER de cerca de R$ 46,6 mil e R$ 47,8 mil/ QALY ganho quando comparado a adalimumabe e certolizumabe pegol, respectivamente, em pacientes em que houve falha dos anti-TNF. Nas análises de impacto orçamentário atualizadas, o impacto incremental em cinco anos apresentou redução de 12,6% em relação à estimativa inicial para a primeira população; e de 19,7% para a segunda população. Com base no modelo econômico que apresentou os diferentes anti-TNF como comparadores e na colocação do demandante de que existe uma necessidade médica não atendida para pacientes que falharam a estes medicamentos, a representante da SECTICS solicitou esclarecimentos quanto ao tratamento destes pacientes no SUS. O especialista convidado esclareceu que pacientes com doença de Crohn moderada a grave com indicação de terapia biológica têm três opções de tratamento no SUS que pertencem à mesma classe de medicamentos e apresentam o mesmo mecanismo de ação. Uma vez ocorrida a falha de um dos anti-TNF, é prescrito outro medicamento dentre os incorporados. Uma vez esgotadas as possibilidades, o paciente não apresenta outra terapia disponível e, assim, o mais adequado seria comparar o ustequinumabe a nenhum tratamento, à história natural da doença. A representante da SECTICS questionou sobre outras opções terapêuticas atualmente disponíveis para esses pacientes além do ustequinumabe e dos anti-TNF. O especialista citou, dentro dos biológicos com registro, a classe dos antiintegrina, cujo representante é o vedolizumabe (atualmente incorporado para retocolite ulcerativa), e a classe dos anti-interleucina (anti-IL) 12 e 23, à qual o ustequinumabe pertence. Complementou que o vedolizumabe já foi avaliado pela Conitec para pacientes com doença de Crohn moderada a grave refratários a anti-TNF e que a evidência de eficácia para essa população é de baixa qualidade, enquanto para ustequinumabe, é de alta qualidade. Também esclareceu que a proposta é utilizar o ustequinumabe como um biológico de segunda linha para os pacientes que não responderam aos anti-TNF numa tentativa de fazer uso racional de recursos. Por fim, comentou que não existe evidência forte para uso de ustequinumabe em primeira linha com troca para um anti-TNF em segunda linha. Outra representante da SECTICS esclareceu que nas análises econômicas não são consideradas doações porque muitas vezes existem dificuldades em sua execução, impedindo sua concretização. Assim, seria mais adequado que as propostas das empresas fabricantes das tecnologias em avaliação fossem apresentadas em desconto, o que daria maior garantia para execução. Representante do Conselho Nacional de Saúde (CNS) solicitou ao especialista que esclarecesse como se dá a prática da doação da dose inicial de medicamentos, uma vez tem observado que na prática a jornada dos pacientes tem apresentado dificuldades. Existem situações em que pacientes iniciam tratamento com a tecnologia a partir da doação, mas ocorrem falhas na continuidade do tratamento, já que por vezes o primeiro fornecimento pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica não ocorre em tempo hábil para seguimento no tempo adequado. Solicitou ainda que comentasse sobre a jornada terapêutica de pacientes que apresentam quadros gravíssimos da doença e que não apresentaram resposta aos tratamentos disponíveis no SUS. O especialista comentou que o prolongamento do intervalo entre a fase de indução e a manutenção do tratamento pode resultar em perdas de eficácia, sendo necessária melhor coordenação logística para que não ocorram falhas no tratamento. Quanto ao segundo questionamento, comentou que pacientes gravíssimos refratários aos antiTNF frequentemente têm que ser hospitalizados e receber corticoides para tentar controlar temporariamente a doença, mas que é ideal que a dispensação do ustequinumabe seja mais célere para reduzir tempo de exposição aos corticoides e potenciais eventos adversos relacionados a eles. Outro representante do CNS comentou sobre sua preocupação a respeito da dificuldade em se efetivar doações e considera ser necessário monitorar junto ao Departamento de Assistência Farmacêutica as situações em que isso já ocorreu, além de buscar maneiras de se executar as propostas de doação junto ao Ministério Público. Representante do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde (DGITS) esclareceu o contexto de duas avaliações anteriores do vedolizumabe para a mesma população e identificou que naquele momento, havia somente evidências de comparações indiretas entre vedolizumabe e anti-TNF, com custos de tratamento, incluindo indução, de R$ 27 mil reais em 2019 e R$ 25 mil em 2022. Complementou que, em termos econômicos, o ustequinumabe apresenta custos superiores, mas que seria necessário ter uma avaliação quanto à evidência clínica. Reforçou a necessidade de se deixar claro nos relatórios os custos do tratamento (unitário, anual, de indução e de manutenção). O especialista comentou que existem diferenças no corpo de evidências do vedolizumabe e do ustequinumabe. Para o primeiro, os resultados de eficácia para pacientes com doença de Crohn refratária aos anti-TNF são provenientes de uma análise secundária de um ensaio clínico randomizado (ECR), em que existem incertezas quanto a sua superioridade clínica em relação ao placebo. Para o segundo, conduziu-se ECRs exclusivamente com pacientes refratários a anti-TNF, em que foi observada a superioridade do ustequinumabe em relação ao placebo. Complementou que não existem estudos de comparação direta entre os dois tratamentos ativos, mas que meta-análises indiretas de estudos com a população de interesse mostraram que o ustequinumabe seria uma melhor opção de tratamento, sendo superior ao vedolizumabe. Representante do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS) se demonstra satisfeito com as evidências de eficácia do ustequinumabe, reafirma a necessidade médica não atendida e que o impacto orçamentário não representaria grandes incrementos, aparentemente ele traz maior eficiência ao SUS do que outros medicamentos já avaliados pela Conitec. Por estes motivos, colocou-se a favor da incorporação. Representante da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES), após terem sidos esclarecidos os market shares do impacto orçamentário, posicionou-se a favor da incorporação e destacou a possibilidade do impacto orçamentário ser maior que o inicialmente estimado por ser uma necessidade médica não atendida. Representante do CNS também se posicionou favorável, ressaltando que a doação da dose de indução ofertada pela Janssen deve ser efetivada e que, caso não seja cumprido, o Ministério da Saúde deve tomar as ações judiciais cabíveis para efetivação do acordo. Representante do CONASS concorda com o que foi posto, e que não acredita que existam dificuldades em relacionadas ao ustequinumabe, mas reconhece que em alguns casos existem barreiras legais para que a doação se viabilize, destacando a necessidade de se estabelecer um fluxo pós-incorporação antes da publicação da portaria. Os demais membros presentes se posicionaram favoravelmente à incorporação. Todos os membros presentes declararam não ter conflitos de interesses. Recomendação final: Diante do exposto, os representantes do Comitê de Medicamentos da Conitec presentes na 125ª Reunião Ordinária da Conitec, ocorrida em 06 de dezembro de 2023, recomendaram a incorporação do ustequinumabe para pacientes com doença Crohn ativa moderada-grave no SUS conforme Protocolo Clínico do Ministério da Saúde. Após os esclarecimentos feitos pelo demandante e pelo especialista e a apresentação das contribuições de consulta pública, o Comitê entendeu que existe uma necessidade médica não atendida e que o ustequinumabe apresenta benefícios clínicos claros à população de interesse. Apesar do desconto modesto oferecido pela empresa, os parâmetros de custo-efetividade estão dentro do limiar de custo-efetividade proposto pela Conitec, com um impacto orçamentário considerado pouco expressivo. Destacou-se, entretanto, que a incorporação está condicionada à doação da dose de indução, com potencial revisão da proposta comercial junto à empresa caso não seja possível sua efetivação. Registro de deliberação nº 861/2023.
Minutes
https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/reuniao_conitec/2023/Atada125Reuniao_Finalaprovadana126Reuniao.pdf | Technology: Ustekinumab. Indication: Treatment of adult patients with moderate to severe active Crohn's disease who have had an inadequate response, loss of response, or intolerance to conventional therapy or anti-TNF-alpha therapy, or who have contraindications to such therapies. Request: Expansion of use. Applicant: Secretariat of Science, Technology, Innovation and Health Complex (SECTICS) and Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda do Brasil. Preliminary recommendation from Conitec: The members of the Medicines Committee present at the 123rd Ordinary Meeting of Conitec, held on October 4, 2023, unanimously decided that the matter should be made available for public consultation with a preliminary recommendation unfavorable to the incorporation of Ustekinumab into the SUS (Brazilian Public Health System) for the treatment of patients with moderate to severe active Crohn's disease, considering the high incremental cost of the technology. Public Consultation (PC) No. 47/2023: Available from November 1, 2023 to November 20, 2023. Presentation of contributions received in PC No. 47/2023: conducted by reviewers from the Health Technology Assessment Center of the Hospital de Clínicas de Porto Alegre (NATS-HCPA), with the participation of representatives from the Janssen-Cilag company and an invited specialist physician. MINUTES: The topic began with the applicant's presentation on ustekinumab, presenting the clinical context and justification for the proposed incorporation, as well as the clinical and economic evidence of the drug. The request for incorporation was based on the fact that patients with moderate to severe Crohn's disease refractory to anti-tumor necrosis factor (anti-TNF) class drugs have no other treatment options in the Unified Health System (SUS). Additionally, he discussed the main limitations and difficulties related to treatment with anti-TNF and the advantages of using ustekinumab when compared to treatments available in the Brazilian Unified Health System (SUS). He highlighted that the efficacy results were based on high-quality evidence and that other international health technology assessment (HTA) agencies and medical societies had favorably recommended its use. Regarding economic aspects, he highlighted the main characteristics of the model and pointed out that, when analyzed by the Medicines Committee, the cost-effectiveness threshold of R$ 120,000 per quality-adjusted life year (QALY) gained was considered, which made the drug not cost-effective. However, adjusting the willingness-to-pay threshold to the 2022 GDP, ustekinumab became cost-effective for the target population. Despite this explanation, the applicant company presented a new commercial proposal in which it maintains the cost of the induction dose at zero and proposes a discount of approximately 5% on the proposed price for the incorporation of psoriasis (ustekinumab 45 mg, from R$ 3,208.84 to R$ 3,054.00), resulting in an incremental cost-effectiveness ratio (ICER) of R$ 119,520.97/QALY gained, making it cost-effective. Consequently, the incremental budgetary impact would also be reduced. The applicant concluded by presenting the key points of the proposal and offered to clarify any doubts. At the request of the representative of the Secretariat of Science, Technology, Innovation and Health Complex (SECTICS), the applicant clarified the new commercial proposal presented. In response, the representative from SECTICS clarified that the objective in establishing a cost-effectiveness threshold is to compare the efficiency between different strategies within the context of the SUS (Brazilian Public Health System), not to establish a threshold for price proposals. Another representative from the requesting company clarified that the new proposal considered the cost-effectiveness threshold as one of the criteria for arriving at the price, but that other factors were taken into consideration. As requested, the requesting company clarified that the donation of ustekinumab for the induction phase would be similar to how it is currently done for patients with psoriasis, with the difference that the 130 mg presentation would also be added to the distribution schedule. Thus, a new contract would require the number of patients with psoriasis, patients with Crohn's disease in the maintenance phase, and induction phase. The donation of ustekinumab for the induction phase is valid for the entire incorporation period. With no further questions for the representatives of the requesting company, they were dismissed, and the discussion of the topic continued. A representative from NATS-HCPA presented the contributions from Public Consultation No. 47/2023 regarding the matter. A total of 1,235 contributions were received, 730 of which were based on experience and opinion, and 505 were technical-scientific. All contributions supported the incorporation of ustekinumab for the requested indication, according to both forms. The unmet medical needs of patients refractory to anti-TNF treatments, and the cost of the medication were highlighted.