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A singularidade do pós-operatório mediato e tardio de pessoas em situação de rua, seus desafios e barreiras
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Título
A singularidade do pós-operatório mediato e tardio de pessoas em situação de rua, seus desafios e barreiras
Tipo de documento
Resumo
Descrição
Resumo apresentado no Simpósio de Saúde Baseada em Evidências (SISBE)
Fonte
SISBE
Ano de publicação
2025
Referência (Vancouver)
Chaves Júnior PR, Schiffer RBM. A singularidade do pós-operatório mediato e tardio de pessoas em situação de rua, seus desafios e barreiras. In: Simpósio de Saúde Baseada em Evidências 2025 [Internet]. Brasília (DF): Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde; 2025. Disponível em: https://repositoriobce.fepecs.edu.br/handle/123456789/1593
Identificador
2025SISBE002
Title
The uniqueness of the intermediate and late postoperative period in homeless individuals, their challenges and barriers
Document type
Abstract
Description
Abstract presented at the Evidence-Based Health Symposium (SISBE)
Source
SISBE
Publication year
2025
Reference (Vancouver)
Chaves Júnior PR, Schiffer RBM. A singularidade do pós-operatório mediato e tardio de pessoas em situação de rua, seus desafios e barreiras. In: Simpósio de Saúde Baseada em Evidências 2025 [Internet]. Brasília (DF): Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde; 2025. Available from: https://repositoriobce.fepecs.edu.br/handle/123456789/1593
Identifier
2025SISBE002
Resumo
INTRODUÇÃO: A assistência perioperatória abrange da avaliação pré-cirúrgica à alta, incluindo fases pré, trans e pós-operatória. Nela, Pessoas em Situação de Rua (PSR) formam grupo vulnerável, enfrentando desigualdades sociais e privação de direitos básicos, como o acesso à saúde. No Brasil, políticas públicas como a Política Nacional para a População em Situação de Rua (PNPSR, 2009) e as equipes de ―Consultório na Rua‖ (2011) buscam assegurar a assistência a essa população. Apesar dos avanços normativos, persistem dificuldades significativas no acesso das PSR aos serviços de saúde. A carência de apoio, qualificação inadequada, preconceito, falhas na comunicação e escassez de investimento e participação pública. Tais obstáculos impactam negativamente a adesão ao tratamento. Este estudo visa investigar os fatores que influenciam a recuperação pós-operatória de pessoas em situação de rua, considerando a complexidade de suas condições de vida e barreiras enfrentadas no sistema de saúde. OBJETIVO: Identificar fatores envolvidos na recuperação pósoperatório mediato e tardio, que podem corroborar significativamente no resultado satisfatório ou insatisfatório de pessoas em situação de rua. MÉTODO: Estudo qualitativo, descritivo-exploratório, foi realizado no Hospital Regional de Sobradinho (HRS) e no Consultório na Rua (UBS N°1), DF. Incluímos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos, serviço social, psicólogos) de ambas as instituições e Pessoas em Situação de Rua (PSR), com idade igual ou superior a 18 anos, alfabetizados ou não, em pós-operatório mediato ou tardio, atendidas pelas unidades. Excluíram-se profissionais de outras instituições e pacientes inelegíveis. Todos assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Coleta de dados em novembro de 2021, aprovada pelo Comitê de Ética da FEPECS (Parecer nº 5.049.390, CAAE: 51713221.6.0000.5553). Profissionais responderam questionário semiestruturado sobre recuperação e orientações; pacientes sobre cirurgia, cuidados e dificuldades pós-alta. Participaram dez profissionais e três PSR. Entrevistas gravadas, transcritas e analisadas por análise de conteúdo. A codificação alfanumérica garantiu o sigilo. RESULTADO: Foram entrevistados dez profissionais de saúde (2 médicos, 3 enfermeiros, 1 técnico, 3 assistentes sociais e 1 psicóloga) do HRS (7) e do Consultório na Rua (3), além de três pessoas em situação de rua em pós-operatório (1 mediato e 2 tardios). Profissionais e pacientes apontaram diversos fatores que dificultam a recuperação pós-operatória, sendo as condições de vida na rua as principais barreiras. Destacaram-se estresse crônico, sono inadequado, má alimentação e precariedade na higiene. A dificuldade em seguir orientações médicas, como repouso e dieta específica, e a falta de local adequado para recuperação elevam o risco de infecções e outras complicações. A ausência de acesso a medicamentos e a desnutrição também foram mencionadas. Os pacientes confirmaram esses desafios, relatando infecções, uso de substâncias e falta de adesão ao tratamento. A ausência de rede de apoio foi crucial. Um deles relatou: ―Tive muita dificuldade quando saí do hospital, [...] depois que eu saí do hospital não tomei mais nenhuma medicação‖. A não realização de consultas de retorno também foi um problema recorrente. Profissionais foram unânimes ao apontar a necessidade de abrigos pós-operatórios para esse público. Sugeriram a criação de casas de apoio específicas e a reaproximação familiar, quando possível e desejada pelo paciente, como estratégias importantes para a recuperação. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO: Os achados deste estudo corroboram a literatura, como o relatório do Ministério do Desenvolvimento Social (2008), que aponta a rua como fator de risco à vulnerabilidade. As dificuldades no pós-operatório de pessoas em situação de rua estão ligadas ao ambiente insalubre e à falta de recursos, comprometendo a recuperação. A compreensão ampliada do processo saúde-doença, considerando aspectos sociais e a história de vida do paciente, é essencial. Ferramentas como escuta qualificada e acolhimento, centrais no "Consultório na Rua", fortalecem o vínculo e incentivam o autocuidado. A recuperação é insatisfatória, devido a fatores como má adesão ao tratamento e ausência de local adequado para a recuperação. O estudo aponta a urgência de revisar políticas públicas e criar projetos que reduzam desigualdades. Destaca-se a falta de espaços específicos para abrigar pacientes no pós-operatório. Entre as limitações, estão a pandemia de COVID-19 e a escassez de literatura.
Notas
O registro foi originalmente publicado em português. A versão em inglês foi traduzida com o apoio de inteligência artificial.
Abstract
Introduction: Perioperative care encompasses the period from pre-surgical assessment to hospital discharge, including the preoperative, intraoperative, and postoperative phases. Within this context, homeless individuals constitute a vulnerable group, facing social inequalities and deprivation of basic rights, such as access to healthcare. In Brazil, public policies such as the National Policy for the Homeless Population (PNPSR, 2009) and the “Street Clinic” teams (Consultório na Rua, 2011) seek to ensure healthcare assistance for this population. Despite these regulatory advances, significant difficulties in access to healthcare services persist among homeless individuals. Lack of support, inadequate professional training, prejudice, communication failures, and insufficient investment and public participation negatively impact treatment adherence. This study aims to investigate the factors influencing postoperative recovery in homeless individuals, considering the complexity of their living conditions and the barriers faced within the healthcare system. Objective: To identify factors involved in intermediate and late postoperative recovery that may significantly contribute to satisfactory or unsatisfactory outcomes in homeless individuals. Method: This qualitative, descriptive-exploratory study was conducted at the Sobradinho Regional Hospital (HRS) and the Street Clinic (UBS No. 1), Federal District, Brazil. Participants included healthcare professionals (physicians, nurses, nursing technicians, social workers, and psychologists) from both institutions, as well as homeless individuals aged 18 years or older, literate or illiterate, in intermediate or late postoperative stages, assisted by the units. Professionals from other institutions and ineligible patients were excluded. All participants signed an Informed Consent Form. Data collection occurred in November 2021 and was approved by the FEPECS Ethics Committee (Opinion No. 5,049,390; CAAE: 51713221.6.0000.5553). Professionals answered a semi-structured questionnaire regarding recovery and postoperative guidance, while patients were questioned about surgery, postoperative care, and difficulties after discharge. Ten professionals and three homeless individuals participated. Interviews were recorded, transcribed, and analyzed using content analysis. Alphanumeric coding ensured confidentiality. Results: Ten healthcare professionals (2 physicians, 3 nurses, 1 nursing technician, 3 social workers, and 1 psychologist) from HRS (7) and the Street Clinic (3), as well as three homeless individuals in postoperative recovery (1 intermediate and 2 late), were interviewed. Both professionals and patients identified several factors hindering postoperative recovery, with street living conditions representing the main barriers. Chronic stress, inadequate sleep, poor nutrition, and poor hygiene conditions were highlighted. Difficulties in following medical guidance, such as rest and specific dietary recommendations, along with the absence of an appropriate recovery environment, increased the risk of infections and other complications. Lack of access to medications and malnutrition were also mentioned. Patients confirmed these challenges, reporting infections, substance use, and poor treatment adherence. The absence of a support network was identified as a crucial factor. One participant reported: “I had a lot of difficulty when I left the hospital [...] after I left the hospital, I did not take any more medication.” Failure to attend follow-up appointments was also a recurring issue. Professionals unanimously emphasized the need for postoperative shelters for this population. They suggested the creation of specific support houses and family reintegration, when possible and desired by the patient, as important recovery strategies. Discussion and Conclusion: The findings of this study corroborate the literature, such as the 2008 report from the Ministry of Social Development, which identifies homelessness as a factor contributing to vulnerability. Postoperative difficulties among homeless individuals are associated with unsanitary environments and lack of resources, compromising recovery. A broader understanding of the health-disease process, considering social aspects and the patient’s life history, is essential. Strategies such as qualified listening and welcoming approaches, central to the “Street Clinic” model, strengthen patient-professional bonds and encourage self-care. Recovery outcomes are often unsatisfactory due to factors such as poor treatment adherence and the absence of adequate recovery spaces. The study highlights the urgent need to revise public policies and develop projects aimed at reducing inequalities. The lack of specific facilities to accommodate postoperative patients was particularly emphasized. Limitations of the study include the COVID-19 pandemic and the scarcity of literature on the topic.
Notes
The record was originally published in Portuguese. The English version was translated with the support of artificial intelligence.