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Eficácia e segurança do ácido meso-2,3-dimercaptossuccínico (DMSA, succimer) em casos de intoxicação exógena aguda por mercúrio
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Título
Eficácia e segurança do ácido meso-2,3-dimercaptossuccínico (DMSA, succimer) em casos de intoxicação exógena aguda por mercúrio
Tipo de documento
Parecer Técnico-Científico
Descrição
Parecer Técnico-Científico publicado na BVS/Rede Ecos
Fonte
BVS/Rede Ecos
Ano de publicação
2026
Referência (Vancouver)
Lima TM, Bandeira TFGS, Rodrigues MPS, Casas CPR, Vianna CMM, Mosegui GBG. Eficácia e segurança do ácido meso-2,3-dimercaptossuccínico (DMSA, succimer) em casos de intoxicação exógena aguda por mercúrio: parecer técnico-científico [Internet]. 2026. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2026/05/1696817/ptc060226tml11.pdf
Identificador
2026BVS013
Title
Efficacy and safety of meso-2,3-dimercaptosuccinic acid (DMSA, succimer) in cases of acute exogenous mercury poisoning
Document type
Technical-Scientific Opinion
Description
Technical-Scientific Opinion published on BVS/Rede Ecos
Source
BVS/Rede Ecos
Publication year
2026
Reference (Vancouver)
Lima TM, Bandeira TFGS, Rodrigues MPS, Casas CPR, Vianna CMM, Mosegui GBG. Eficácia e segurança do ácido meso-2,3-dimercaptossuccínico (DMSA, succimer) em casos de intoxicação exógena aguda por mercúrio: parecer técnico-científico [Internet]. 2026. Available from: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2026/05/1696817/ptc060226tml11.pdf
Identifier
2026BVS013
Resumo
Pergunta: O ácido meso-2,3-dimercaptossuccínico (DMSA, succimer) é eficaz e seguro em casos de intoxicação aguda por mercúrio? População-alvo: Indivíduos de qualquer faixa etária com intoxicação aguda por qualquer forma química de mercúrio. Tecnologia: Ácido meso-2,3-dimercaptossuccínico (DMSA, succimer). Comparador: Cuidados usuais no Sistema Único de Saúde (SUS) ou placebo. Delineamento de estudos elegíveis: Os critérios de inclusão foram revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados com ou sem metanálise, ensaios clínicos randomizados em Fase III em diante, estudos intervencionistas e observacionais com grupo comparador que avaliassem o uso de DMSA em indivíduos de qualquer faixa etária com intoxicação aguda por qualquer forma química de mercúrio para os desfechos: sintomas relacionados a intoxicação (neurológicos, renais, respiratórios, gastrointestinais, dentre outros), níveis de mercúrio no organismo (níveis sanguíneos e plasmáticos), excreção urinária de mercúrio e eventos adversos. Processo de busca e análise de evidências científicas: O processo de busca das evidências foi conduzido nas bases eletrônicas MEDLINE (via PubMed), Embase (Elsevier), The Cochrane Library e LILACS até 5 de agosto de 2025. Também foram conduzidas buscas no Google Acadêmico e buscas manuais de referências bibliográficas secundárias. A seleção dos estudos foi realizada por dois pesquisadores e as discrepâncias foram decididas por consenso. O risco de viés foi analisado pela ferramenta ROB 2 e a qualidade da evidência pelo sistema GRADE. Resumo dos resultados dos estudos selecionados: A busca das evidências disponíveis na literatura resultou em 456 referências. Destas, 15 referências tiveram seus textos completos avaliados para confirmação da elegibilidade. Ao final, três estudos foram selecionados e avaliados com relação ao risco de viés. Cao et al. (2011) avaliaram funções neurocognitivas e comportamentais aos 2, 5 e 7 anos de idade, utilizando testes como QI, NEPSY, CPRS-S, CPT, CVLTC, WLPB-R, NESS e BASC, e não encontraram diferenças significativas entre os grupos DMSA e placebo em nenhuma medida, incluindo atenção, memória, linguagem, habilidades acadêmicas e comportamento. Sandborgh-Englund et al. (1994) avaliaram sintomas subjetivos e humor por diários e questionários, como o POMS, e não observaram alterações significativas atribuíveis ao DMSA, exceto uma pequena redução imediata na fadiga-inércia, sem relação com os níveis de mercúrio excretado ou sanguíneo, indicando que o tratamento não produziu efeitos clínicos relevantes sobre os sintomas ou funções avaliadas. Além disso, Cao et al. (2010) não relataram diferenças significativas entre os grupos DMSA e placebo em mercúrio total, inorgânico ou orgânico, antes ou após o tratamento. Em Cao et al. (2011), houve uma pequena redução significativa nas concentrações de mercúrio orgânico após uma semana de tratamento com DMSA, mas após cinco meses não houve diferença significativa; a redução média ajustada refletiu a prevenção do aumento relacionado à idade, não uma eliminação ativa do metal. Sandborgh-Englund et al. (1994) encontraram uma modesta, porém significativa, redução diária nas concentrações sanguíneas de mercúrio no grupo DMSA, enquanto os níveis plasmáticos permaneceram semelhantes ao placebo, indicando efeito limitado do tratamento sobre as concentrações de mercúrio. Ademais, Sandborgh-Englund et al. (1994) observaram que o DMSA aumentou significativamente a excreção de mercúrio em 65% (p < 0,01), com pico no 7º dia e retorno aos níveis basais no dia 90. Por fim, também relataram eventos adversos ao DMSA, incluindo sintomas gastrointestinais leves e três casos de reações de hipersensibilidade, indicando risco aumentado com uso prolongado. Quanto ao risco de viés, analisado pela ferramenta ROB 2, dois estudos foram considerados de alto risco, enquanto um apresentou algumas preocupações. Qualidade da evidência: a análise do sistema GRADE demonstra que os desfechos clínicos, como quociente de inteligência, apresentam muito baixa certeza da evidência. Para a excreção urinária, redução dos níveis sanguíneos de mercúrio, ocorrência de eventos adversos e os níveis plasmáticos de mercúrio, a certeza foi classificada como baixa. De modo geral, a confiança nas evidências disponíveis é limitada, reforçando a necessidade de estudos mais robustos.
Notas
O registro foi originalmente publicado em português. A versão em inglês foi traduzida com o apoio de inteligência artificial.
Abstract
Question: Is meso-2,3-dimercaptosuccinic acid (DMSA, succimer) effective and safe in cases of acute mercury poisoning? Target population: Individuals of any age group with acute poisoning caused by any chemical form of mercury. Technology: meso-2,3-dimercaptosuccinic acid (DMSA, succimer). Comparator: Usual care within the Brazilian Unified Health System (SUS) or placebo. Eligible study designs: The inclusion criteria were systematic reviews of randomized clinical trials with or without meta-analysis, Phase III or later randomized clinical trials, and interventional and observational studies with a comparator group evaluating the use of DMSA in individuals of any age group with acute poisoning caused by any chemical form of mercury for the following outcomes: poisoning-related symptoms (neurological, renal, respiratory, gastrointestinal, among others), mercury levels in the body (blood and plasma levels), urinary mercury excretion, and adverse events. Search process and analysis of scientific evidence: The evidence search process was conducted in the electronic databases MEDLINE (via PubMed), Embase (Elsevier), The Cochrane Library, and LILACS up to August 5, 2025. Searches were also conducted in Google Scholar and through manual searches of secondary bibliographic references. Study selection was performed by two researchers, and discrepancies were resolved by consensus. Risk of bias was analyzed using the ROB 2 tool and the quality of evidence was assessed using the GRADE system. Summary of the results of the selected studies: The search for available evidence in the literature yielded 456 references. Of these, 15 references had their full texts assessed to confirm eligibility. In the end, three studies were selected and evaluated regarding risk of bias. Cao et al. (2011) assessed neurocognitive and behavioral functions at 2, 5, and 7 years of age using tests such as IQ, NEPSY, CPRS-S, CPT, CVLTC, WLPB-R, NESS, and BASC, and found no significant differences between the DMSA and placebo groups in any measure, including attention, memory, language, academic skills, and behavior. Sandborgh-Englund et al. (1994) evaluated subjective symptoms and mood through diaries and questionnaires, such as POMS, and observed no significant changes attributable to DMSA, except for a small immediate reduction in fatigue-inertia, with no relationship to urinary mercury excretion or blood mercury levels, indicating that treatment did not produce clinically relevant effects on the symptoms or functions assessed. In addition, Cao et al. (2010) reported no significant differences between the DMSA and placebo groups in total, inorganic, or organic mercury before or after treatment. In Cao et al. (2011), there was a small significant reduction in organic mercury concentrations after one week of DMSA treatment, but after five months there was no significant difference; the adjusted mean reduction reflected prevention of the age-related increase rather than active elimination of the metal. Sandborgh-Englund et al. (1994) found a modest but significant daily reduction in blood mercury concentrations in the DMSA group, while plasma levels remained similar to placebo, indicating a limited effect of treatment on mercury concentrations. Furthermore, Sandborgh-Englund et al. (1994) observed that DMSA significantly increased mercury excretion by 65% (p < 0.01), peaking on day 7 and returning to baseline levels on day 90. Finally, they also reported adverse events associated with DMSA, including mild gastrointestinal symptoms and three cases of hypersensitivity reactions, indicating an increased risk with prolonged use. Regarding risk of bias, analyzed using the ROB 2 tool, two studies were considered at high risk of bias, while one study presented some concerns. Quality of evidence: The GRADE assessment shows that clinical outcomes, such as intelligence quotient, have very low certainty of evidence. For urinary excretion, reduction of blood mercury levels, occurrence of adverse events, and plasma mercury levels, certainty was classified as low. Overall, confidence in the available evidence is limited, reinforcing the need for more robust studies.
Notes
The record was originally published in Portuguese. The English version was translated with the support of artificial intelligence.