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Cuidado farmacêutico que transforma: relato de experiência de um futuro farmacêutico em um ambulatório trans
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Título
Cuidado farmacêutico que transforma: relato de experiência de um futuro farmacêutico em um ambulatório trans
Tipo de documento
Resumo
Descrição
Resumo apresentado no 14º Fórum Brasileiro sobre Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (FAFF) e publicado no Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (JAFF)
Fonte
JAFF
Ano de publicação
2026
Referência (Vancouver)
Moura LFM, Brito GC. Cuidado farmacêutico que transforma: relato de experiência de um futuro farmacêutico em um ambulatório trans. J Assist Farmac Farmacoecon. 2026;11.
Identificador
2026JAFF162
Title
Transformative Pharmaceutical Care: An Experience Report of a Future Pharmacist in a Transgender Healthcare Outpatient Clinic
Document type
Abstract
Description
Abstract presented at the 14th Brazilian Forum on Pharmaceutical Care and Pharmacoeconomics (FAFF) and published in the Journal of Pharmaceutical Care and Pharmacoeconomics (JAFF)
Source
JAFF
Publication year
2026
Identifier
2026JAFF162
Resumo
Introdução: A formação em farmácia costuma enfatizar o aspecto técnico da dispensação de medicamentos. No cuidado à população trans, entretanto, o papel do farmacêutico se amplia, envolvendo escuta, acolhimento e acompanhamento contínuo. Diretrizes recentes reforçam a necessidade de práticas inclusivas e do farmacêutico como integrante essencial da equipe multiprofissional¹. O Ambulatório Trans de Lagarto–SE, inaugurado em 2019, é o primeiro e único serviço especializado do estado, referência no acesso a hormônios e medicamentos de afirmação de gênero². Nesse cenário, estudantes vivenciam um cuidado que vai além da técnica e se conecta às histórias e expectativas dos usuários. Objetivo: Relatar a experiência de uma estudante de iniciação científica no acompanhamento farmacêutico de pessoas trans em processo de transição, destacando dimensões subjetivas do cuidado. Descrição do relato: Este relato decorre da participação de estudantes de Iniciação Científica nos atendimentos do Ambulatório Trans de Lagarto–SE. A atuação farmacêutica dividese entre dispensação de medicamentos e acompanhamento clínico, foco desta experiência. O acompanhamento utilizou um instrumento estruturado, incluindo a pergunta: “O que você deseja ou espera de seu tratamento medicamentoso?”, integrando aspectos técnicos às vivências e expectativas subjetivas sobre identidade e afirmação de gênero. Em uma consulta, uma usuária relatou o desejo de “ver no espelho aquilo que já enxergava por dentro”, mostrando que os hormônios transcendem a dimensão biomédica, materializando identidades historicamente negadas. O uso autônomo de doses intensificadas, como dobrar comprimidos ou antecipar aplicações, reflete não só a busca por eficácia clínica, mas a urgência de alinhar corpo e essência. Essa prática, embora arriscada, revela o valor simbólico do hormônio como marcador de pertencimento, esperança e transformação. O contato com esses relatos permitiu compreender que cada medicamento carrega significados subjetivos, desejos e ansiedades acumuladas. É importante reconhecer que nem toda pessoa trans necessita da hormonização para afirmar sua identidade; ser trans não se resume ao uso de medicamentos. Conclusão: Para muitos, o acesso aos hormônios é também o acesso a versões de si que por tanto tempo habitaram apenas a imaginação e o desejo, esperando o momento de ganhar corpo e forma. Democratizar esse acesso, com segurança e acompanhamento qualificado, constitui uma luta do cuidado farmacêutico. Assim, a farmácia se reafirma como espaço de escuta, acolhimento e transformação, onde ciência e humanidade se encontram para revelar no corpo o que sempre floresceu no íntimo. Ao longo dessa vivência, percebi que o estudante que entrou naquela quintafeira já não é o mesmo. Em mim, a técnica encontrou a escuta, e o farmacêutico que nasceu desse encontro aprendeu a clínica com humanidade. Descobri que, no cuidado, também se floresce: transformar vidas é também deixarse transformar.
Palavras-chave
Cuidado farmacêutico | Experiência subjetiva com o uso de medicamentos | Farmácia clínica | Gerenciamento da terapia medicamentosa
Notas
O registro foi originalmente publicado em português. A versão em inglês foi traduzida com o apoio de inteligência artificial.
Abstract
Introduction: Pharmacy education often emphasizes the technical aspects of medication dispensing. However, when providing care to the transgender population, the pharmacist’s role expands, involving listening, welcoming, and continuous followup. Recent guidelines reinforce the need for inclusive practices and the pharmacist’s role as an essential member of the multidisciplinary team¹. The Transgender Outpatient Clinic of Lagarto–SE, established in 2019, is the first and only specialized service in the state, serving as a reference for access to hormones and genderaffirming medications². In this context, students experience a form of care that goes beyond technique and connects with users’ stories and expectations. Objective: To report the experience of a scientific initiation student in pharmaceutical followup of transgender individuals undergoing transition, highlighting subjective dimensions of care. Description of the Report: This report derives from the participation of Scientific Initiation students in consultations at the Transgender Outpatient Clinic of Lagarto–SE. Pharmaceutical practice is divided between medication dispensing and clinical followup, which is the focus of this experience. The followup used a structured instrument, including the question: “What do you desire or expect from your medication treatment?”, integrating technical aspects with subjective experiences and expectations regarding identity and gender affirmation. In one consultation, a user reported the desire to “see in the mirror what they had always seen inside,” showing that hormones transcend the biomedical dimension, materializing identities historically denied. The autonomous use of intensified doses, such as doubling tablets or anticipating applications, reflects not only the search for clinical effectiveness but also the urgency to align body and essence. Although risky, this practice reveals the symbolic value of hormones as markers of belonging, hope, and transformation. Contact with these reports allowed the understanding that each medication carries subjective meanings, desires, and accumulated anxieties. It is important to recognize that not every transgender person requires hormone therapy to affirm their identity; being transgender is not defined by medication use. Conclusion: For many individuals, access to hormones also represents access to versions of themselves that for so long existed only in imagination and desire, waiting for the moment to gain body and form. Democratizing this access, with safety and qualified followup, constitutes a commitment of pharmaceutical care. Thus, pharmacy reaffirms itself as a space for listening, welcoming, and transformation, where science and humanity meet to reveal in the body what has always flourished internally. Throughout this experience, I realized that the student who entered that Thursday was no longer the same. Within me, technique met listening, and the pharmacist who emerged from this encounter learned clinical practice with humanity. I discovered that, in care, one also flourishes: transforming lives also means allowing oneself to be transformed.
Keywords
Clinical pharmacy | Medication therapy management | Pharmaceutical care | Subjective experience with Medication use
Notes
The record was originally published in Portuguese. The English version was translated with the support of artificial intelligence.